“Há algo mais importante aqui”, respondeu Eric, olhando para a tela do laptop. “Havia pessoas protegendo o que estava acontecendo. Subornaram uma assistente social. Provavelmente a polícia também.”
"O que você precisa?"
"Você pode investigar?", perguntou Eric. "Discretamente. Myrtle Savage. Christina Slaughter. Qualquer pessoa ligada àquela propriedade. Siga o dinheiro."
“Eric”, disse Derek, e havia um aviso por trás da calma. “Como está Emma?”
"Ela está viva", disse Eric, com a voz embargada. "Isso é tudo o que importa agora."
"E a Brenda?"
Eric olhou em volta do estacionamento, para os carros e para as pessoas comuns que não faziam ideia do que tinha acontecido nas montanhas. "Eu cuido disso hoje."
Após desligar o telefone, Eric abriu seu e-mail e começou a digitar um assunto que jamais imaginara escrever: Pedido de demissão.
Após doze anos, ele estava farto. Emma precisava dele mais do que o Exército.
O telefone dela vibrou.
Brenda: Onde você está? A polícia está aqui. Estão perguntando pela mamãe. O que houve?
Eric não respondeu.
Em vez disso, ela pegou as fotos que havia tirado: o suficiente para se lembrar, o suficiente para provar, sem se forçar a olhar muito de perto. Ela memorizou os detalhes. Depois, abriu um documento e começou a anotar tudo: o que tinha visto, o que Emma tinha dito, o que Myrtle tinha feito, o cheiro da casa, quais portas estavam fechadas, os nomes que elas haviam usado uma para a outra.
Isso ia parar no tribunal.
Eu precisava estar preparado.
No meio da tarde, Emma acordou. Olhou em volta, tomada pelo pânico, até que viu Eric.
"Oi, querida", disse ele suavemente. "Como você está se sentindo?"
"Cansado", sussurrou ele, sentando-se lentamente.
Ela olhou para ele como se fosse perguntar algo importante, mas decidiu dizer algo mais simples primeiro.
"A vovó está na cadeia?"
"Sim", disse Eric.
"Tudo bem." A aspereza da voz dela o quebrou como a raiva jamais conseguiria. Ele tinha sete anos e já sabia que algumas pessoas eram más.
Então ela lhe fez a pergunta que Eric vinha tentando evitar.
“Papai… vamos voltar para a mamãe?”
Eric sentou-se na beira da cama e tentou manter a voz firme. "Preciso te perguntar uma coisa, e preciso que você me diga a verdade, tá bem? Mesmo que você ache que isso possa me magoar."
Emma assentiu com a cabeça.