Voltei da missão três dias antes do previsto. Minha filha não estava no quarto dela, e minha esposa disse que ela estava "na casa da vovó", como se fosse a coisa mais normal do mundo. Fui até lá de carro e encontrei minha filha de sete anos no quintal, em pé dentro de um buraco, chorando, porque "a vovó disse que meninas más dormem em covas". Quando a tirei do chão gelado, ela se agarrou ao meu pescoço e sussurrou, tão baixinho que mal consegui ouvi-la: "Papai... não olhe no outro buraco".

“Ótimo”, disse Eric. “Uma conversa. No escritório do FBI. Agentes presentes.”

O encontro foi surreal.

Herman Savage estava sentado em frente a Eric em uma sala de interrogatório, parecendo ter envelhecido dez anos. Seu terno caro estava folgado em seu corpo. Suas mãos tremiam. Morrison e o Agente Chun gravaram tudo.

“Obrigado por terem vindo”, disse Herman com voz rouca.

“Não me agradeça”, disse Eric. “Estou aqui para ouvir sua confissão.”

“Sim, vou contar”, disse Herman. Seus olhos estavam marejados, mas ele tentou manter a voz firme. “Vou te contar tudo. Mas primeiro… quero que você entenda uma coisa. Eu não sou um monstro. Eu estava tentando ajudar as pessoas.”

Eric cerrou os dentes. "Ajudá-los a machucar seus filhos?"

“Ajudá-los a resolver problemas”, insistiu Herman. “Não eram crianças quaisquer. Elas sabiam coisas que poderiam destruir famílias, carreiras, vidas. Seus pais vieram até mim em desespero, e eu ofereci uma solução.”

“Você causou destruição”, disse Eric.

“Nem sempre”, disse Herman rapidamente. “A maioria sobreviveu. Eles passaram pelo programa, aprenderam disciplina e conseguiram. Os que morreram foram acidentes. Myrtle deveria ter cuidado, mas… ela foi longe demais.”

Eric bateu com a mão na mesa. "Ele colocou as crianças em buracos."

"Eu sei", sussurrou Herman. "Eu sei. E eu deveria tê-lo impedido."

Eric inclinou-se na minha direção, a voz baixa e ameaçadora. "Mas você não fez isso."

O rosto de Herman se contraiu. "Quando me dei conta da gravidade da situação, já tinha ido longe demais. Meus pais eram pessoas poderosas. Eles teriam me destruído se eu os tivesse traído."

“Então você deixou isso continuar”, disse Eric. “Você deixou mais crianças morrerem para se salvar.”

A voz de Herman embargou. "Cometi um erro. Tive medo. Fui ganancioso. Fui fraco. E sinto muito."

"Desculpe, ele não os devolve", disse Eric.

"Quero depor", disse Herman. "Vou lhes dizer quem estava envolvido. Quem sabia. Quem pagou. Tudo."

"Em troca de quê?", perguntou Eric.

“Prisão preventiva”, sussurrou Herman. “Uma pena reduzida. Eu sei o que acontece com pessoas como eu lá dentro.”

Eric olhou para Morrison. "Está sobre a mesa?"

“Depende do que ele nos der”, disse Morrison com cautela.

Eric se virou para Herman. "Quantos filhos?", perguntou ele.

“Sete, pelo que sei com certeza”, sussurrou Herman. “Talvez mais. Myrtle mantinha alguns registros não oficiais.”

"Onde?" perguntou Morrison imediatamente.

Herman engoliu em seco. "Na propriedade. Tem um galpão. Debaixo da terra."

Morrison já estava ao telefone.

Eric lançou um olhar furioso para Herman, o nojo subindo como fel. "Você sabia que havia mais e não contou para ninguém."

"Eu estava com medo", sussurrou Herman.

"Você é patético", disse Eric. "Um covarde de jaleco branco."

Ele se levantou.