Voltei da missão três dias antes do previsto. Minha filha não estava no quarto dela, e minha esposa disse que ela estava "na casa da vovó", como se fosse a coisa mais normal do mundo. Fui até lá de carro e encontrei minha filha de sete anos no quintal, em pé dentro de um buraco, chorando, porque "a vovó disse que meninas más dormem em covas". Quando a tirei do chão gelado, ela se agarrou ao meu pescoço e sussurrou, tão baixinho que mal consegui ouvi-la: "Papai... não olhe no outro buraco".

Sou o agente do FBI Frank Morrison. Preciso que você venha hoje, se possível.

“Posso estar aí em vinte minutos”, disse Eric.

“Tudo bem”, respondeu Morrison. “Traga seu advogado. Estamos falando de acusações sérias.”

"Contra quem?", perguntou Eric, embora já soubesse a resposta.

“Contra todos”, disse Morrison. “Estamos construindo um caso RICO: crime organizado, conspiração, tráfico de crianças, assassinato. Isso vai além da sogra dele. Vamos processar todos os envolvidos.”

Eric apertou o volante com mais força. "Ótimo."

“Preciso avisá-lo”, acrescentou Morrison. “Sua esposa é um alvo. Acreditamos que ela foi cúmplice no recrutamento de menores para o programa. Se ela cooperar, as acusações poderão ser reduzidas, mas ela ainda poderá ser presa.”

"Não me importo com o que aconteça com ele", disse Eric em voz baixa. "Só certifique-se de pegá-los todos."

“Vamos sim”, disse Morrison. “Mas tenham cuidado.” Essas pessoas têm dinheiro e contatos. Elas não vão desistir facilmente.

Após desligar o telefone, Eric ligou para um amigo advogado de sua unidade que agora trabalhava em um grande escritório de advocacia na Filadélfia.

"Tony Paya", respondeu o homem.

"Tony, aqui é Eric McKenzie", disse Eric. "Preciso de ajuda. Preciso do melhor advogado de família que você conhece, e alguém que possa lidar com um caso federal."

Tony ficou em silêncio por um momento. "Que tipo de caso federal?"

Eric engoliu em seco. "Tráfico de crianças. Extorsão. Assassinato. E preciso garantir a guarda da minha filha."

"Meu Deus", murmurou Tony. "Eric... fale comigo."

Enquanto Eric relatava o pesadelo, sentiu uma mudança dentro de si. A raiva ainda estava lá, ardendo, mas por baixo dela jazia algo mais frio e calculista.

O Exército o ensinara a lutar, a planejar, a executar operações complexas contra inimigos entrincheirados. Ele liderara missões em território hostil. Aprendera a manter a calma quando tudo dentro dele queria explodir.

Agora ela usaria todas as suas habilidades para destruir aqueles que haviam ferido sua filha.

Não apenas a murta.

Não apenas Brenda.

Para todos.

O escritório do FBI era frio e estéril: luzes fluorescentes, paredes bege, cadeiras de metal que pareciam projetadas para deixar você desconfortável e fazê-lo falar mais rápido.

Eric sentou-se em frente ao Agente Morrison e a outra agente, uma mulher com um olhar penetrante e uma voz controlada.

"Sou a agente Sarah Chun", disse ela, e o nome a atingiu como um soco no estômago.

A expressão no rosto de Eric não mudou, mas algo em seu peito se apertou.

A voz de Sarah permaneceu firme. "Sarah Chun era minha sobrinha."

Eric assentiu com a cabeça. "Sinto muito pela sua perda."