Brenda sentou-se. Melody permaneceu na porta, com os braços cruzados como uma guarda.
Eric encostou-se ao balcão e deixou as palavras caírem como pedras. "O FBI falou com sua mãe. Ela está tentando fazer um acordo. Ela disse que você ajudou a recrutar famílias. Que você recebeu cinco mil dólares por cada criança que enviou para ela. Isso é verdade?"
Brenda não respondeu.
Seu silêncio falou por ela.
"Quantos?" perguntou Eric com voz sepulcral.
Brenda engoliu em seco. "Não sei. Talvez... vinte."
Eric olhou para ela como se ela tivesse deixado de ser humana em sua presença. "Vinte crianças", disse ele. "Você mandou vinte crianças para aquele lugar por dinheiro."
"Não era para ser assim..." Brenda começou, com a voz embargada. "Mamãe disse que era amor duro. Os pais estavam desesperados."
"Então vocês exploraram pais desesperados", disse Eric, elevando a voz, "e venderam a segurança de seus filhos por suborno."
Melody fez um som de desgosto. "Brenda, o que há de errado com você?"
“Precisávamos de dinheiro”, soluçou Brenda. “Eric estava em missão. O salário dele não era suficiente. Ele tinha dívidas de antes de nos casarmos…”
"Já tínhamos o suficiente!" gritou Eric. "Tínhamos casa, comida, tudo. Você está me dizendo que fez isso por quê? Por um carro melhor? Por férias?"
Brenda chorou ainda mais. "Eu não achei que alguém fosse se machucar. Mamãe disse que era seguro."
“Quatro crianças morreram”, disse Eric, tremendo de raiva. “Quatro. Como isso pode ser considerado seguro?”
O rosto de Brenda se enrugou. "Você sabia sobre os túmulos?", perguntou Eric.
“Não”, ela exclamou, ofegante. “Juro que não sabia de nada disso. Quando a mamãe disse que as crianças estavam fugindo, eu acreditei nela. Pensei que elas tivessem ido embora…”
“Você achou que as crianças simplesmente desapareceram”, disse Eric, com a voz baixa e brutal, “e isso não lhe pareceu suspeito”.
Brenda não tinha resposta.
Eric pegou o celular. "O FBI vai falar com você. As famílias que você recrutou vão querer respostas. E eu vou garantir que todos saibam o que você fez."
Brenda o agarrou. "Por favor, Eric. Eu cometi um erro. Fui estúpida e gananciosa, e me desculpe, mas ainda sou a mãe da Emma. Eu a amo."
"Você a mandou para lá", disse Eric. "Para nada. Para controlar as coisas. Para sua própria conveniência."
"Não!", gritou Brenda. "Eu não aceitei dinheiro pela Emma. Ela é minha filha."
Eric se afastou da mão estendida dela. "Fique longe de nós", disse ele. "Não ligue. Não mande mensagens. Não tente ver a Emma. Se eu te vir perto dela, vou mandar te prender."
"Você não pode tirar minha filha de mim", disse Brenda com voz desesperada.
"Olhe para mim", disse Eric.
Os olhos de Melody estavam cheios de fúria. "Eu quero minha irmã", disse ela, com a voz trêmula, "mas se ela sabia o que a mamãe estava fazendo e mandou a Emma mesmo assim..."
Eric se virou para Melody. "Obrigado", disse ele suavemente. "Por dizer a verdade."
Melody engoliu em seco. "Eu deveria ter insistido mais", sussurrou. "Ter mantido contato. Talvez eu pudesse ter..."
“Isso não é culpa sua”, disse Eric. “Não assuma a culpa dos outros.”
Enquanto Eric se afastava, ligou para um número desconhecido.
“Eric McKenzie?” disse um homem.
"Sim".