Voltei da missão três dias antes do previsto. Minha filha não estava no quarto dela, e minha esposa disse que ela estava "na casa da vovó", como se fosse a coisa mais normal do mundo. Fui até lá de carro e encontrei minha filha de sete anos no quintal, em pé dentro de um buraco, chorando, porque "a vovó disse que meninas más dormem em covas". Quando a tirei do chão gelado, ela se agarrou ao meu pescoço e sussurrou, tão baixinho que mal consegui ouvi-la: "Papai... não olhe no outro buraco".

"Não entendo nada de finanças", sussurrou Brenda.

"Então é melhor você começar a se lembrar", disse Eric. "Porque se você não cooperar, você vai afundar junto com eles."

Brenda cobriu o rosto e chorou. Eric olhou para ela, sem sentir nada parecido com pena.

"Você tem até amanhã para sair", disse ele. "Se você ainda estiver aqui quando eu trouxer Emma de volta, chamarei a polícia."

Ele a deixou lá, chorando na cozinha da casa que haviam comprado juntos oito anos atrás, a casa para onde haviam levado Emma do hospital, a casa que ele acreditava representar segurança.

Agora parecia cinzas.

Eric encontrou Derek em um restaurante nos arredores da cidade. Derek já estava lá com um laptop e uma pasta, parecendo cansado.

"Você está com uma aparência terrível", disse Derek.

“Eu me sinto pior”, respondeu Eric. “O que você descobriu?”

Derek deslizou a pasta sobre a mesa. “Herman Savage. Irmão de Myrtle. Juiz do condado por quinze anos. Ele lida com casos de menores e de direito de família.”

Eric sentiu um aperto no estômago.

Derek continuou: "Adivinha o que acontece quando os pais reclamam do programa da Myrtle?"

Eric não respondeu.

“Os casos foram arquivados”, disse Derek. “Encontrei seis queixas nos últimos cinco anos. Todas foram levadas ao tribunal de Herman. Todas foram arquivadas como 'disputas familiares' ou 'acusações infundadas'. Três dessas crianças estão desaparecidas.”

Eric cerrou os punhos.

“Ela está melhorando”, disse Derek, com a voz falhando. “Christina Slaughter, a assistente social. Ela é ex-esposa de Herman. Eles se divorciaram há dez anos, mas eu verifiquei os registros financeiros dela. Ela recebe pagamentos regulares de uma empresa de responsabilidade limitada chamada New Beginnings Holdings.”

Eric estreitou os olhos. "De quem é?"

Derek nem pareceu surpreso com a rapidez com que ela chegou. "Herman e Myrtle. Meio a meio."

De repente, o restaurante pareceu iluminado demais.

"A LLC cobra taxas", disse Derek. "Ela transfere dinheiro por meio de contas. Ela paga Myrtle, Herman e Christina. Estamos falando de milhões ao longo dos anos."

Eric recostou-se lentamente. "Então, Herman oferece proteção legal", disse ele. "Christina cuida das investigações estaduais. Myrtle comanda a operação."

"Essa é a teoria", disse Derek. "E pode haver mais. Encontrei pagamentos para uma empresa de consultoria que parecem inexistentes. Lacunas nos registros. Dinheiro saindo sem que possamos rastrear."

A mente de Eric não parava de repassar a mesma verdade: aquilo não fora acidental. Tinha sido planejado.

"Preciso falar com o Don", disse Eric. "Ver se ele conhece alguém que pareça muito disposto a silenciar perguntas." "Cuidado", alertou Derek. "Se houver policiais corruptos envolvidos, você não sabe em quem confiar."

"Eu confio no Don", disse Eric.