Voltei da missão três dias antes do previsto. Minha filha não estava no quarto dela, e minha esposa disse que ela estava "na casa da vovó", como se fosse a coisa mais normal do mundo. Fui até lá de carro e encontrei minha filha de sete anos no quintal, em pé dentro de um buraco, chorando, porque "a vovó disse que meninas más dormem em covas". Quando a tirei do chão gelado, ela se agarrou ao meu pescoço e sussurrou, tão baixinho que mal consegui ouvi-la: "Papai... não olhe no outro buraco".

Herman Savage, irmão de Myrtle.

Eric olhou fixamente para a tela, sentindo o sangue fugir do seu rosto.

Herman Savage era juiz de condado.

Na manhã seguinte, Eric levou Emma para uma casa segura providenciada por Donald: um apartamento acima de uma livraria pertencente a um policial aposentado que devia um favor a Don. Uma agente chamada Janet ficaria com Emma enquanto Eric cuidava do próximo passo.

"Não quero que você vá embora", disse Emma, ​​agarrando-se ao Sr. Hoppers como se fosse sua tábua de salvação.

"Volto hoje à noite", prometeu Eric. "Janet é legal. Você estará segura aqui. A porta tem três fechaduras e tem um policial lá embaixo."

Emma assentiu com a cabeça, mas parecia pequena e assustada.

Eric ajoelhou-se ao lado dela. "Querida, preciso garantir que aqueles que te machucaram não possam machucar mais ninguém. É isso que vou fazer hoje. Você consegue ser corajosa por mim?"

O lábio inferior de Emma tremeu. Você vai trazer a mamãe?

Eric cerrou os dentes. "Você quer ver a mamãe?"

Emma pensou por um instante e depois balançou a cabeça. "Ainda não. Talvez nunca."

"Está tudo bem", disse Eric suavemente. "Você não precisa ver ninguém que não queira."

Ele a beijou na testa e partiu com o coração pesado.

Mas, enquanto dirigia pela cidade, a sensação de peso se transformou em algo mais frio e cortante. Myrtle estava na prisão, mas aquilo era apenas o começo.

Herman Savage. Christina Slaughter. Qualquer um que tivesse permitido isso.

E Brenda.

Eric chegou em casa no meio da manhã. O carro de Brenda estava na entrada da garagem.

Ele ficou sentado na caminhonete por um momento, respirando fundo, recuperando o fôlego como faria antes de entrar em uma sala que poderia explodir.

Então ele entrou.

Brenda estava na cozinha, com uma aparência abatida. Ela não tinha dormido. Quando o viu, levantou-se depressa demais.

“Eric. Finalmente. A polícia não me diz nada. Levaram a mamãe. Dizem que ela…” A voz de Brenda falhou. “É ridículo. Você tem que contar para eles… onde está a Emma?”

"Estou tentando decidir", disse Eric em voz baixa, "se minha esposa é estúpida ou má."

Brenda empalideceu. "O quê?"

“Você mandou nossa filha morar com uma mulher que machuca crianças”, disse Eric, elevando a voz. “Há pelo menos quatro crianças mortas, Brenda. Você levou Emma para lá e disse a Myrtle que ela precisava aprender a respeitar.”

“Eu não…” Brenda balançou a cabeça firmemente. “Não é assim que funciona. O programa para mães é rigoroso, mas funciona. Ajuda crianças com problemas.”

"Emma não tem problema nenhum", retrucou Eric. "Ela tem sete anos. Ela não come legumes. Isso não é ter problema. É normal."

As mãos de Brenda tremiam. "Ele estava perdendo o controle. Estava respondendo de forma grosseira, não ouvindo. Estava estressado..."

“Então você mandou que ela fosse jogada num buraco no chão”, disse Eric, as palavras saindo como se ele não pudesse acreditar que estava dizendo aquilo.

Brenda abriu e fechou a boca. "Isso não é... Mãe, não..."

“Eu mesmo tirei a Emma daquele buraco”, interrompeu Eric. Sua voz tremia, transbordando raiva e dor. “Estava um frio de rachar. Ela ficou parada na lama por mais de uma hora, chorando, apavorada. E me disse para não olhar no outro buraco.”

Eric parou e se obrigou a respirar.