Voltei da missão três dias antes do previsto. Minha filha não estava no quarto dela, e minha esposa disse que ela estava "na casa da vovó", como se fosse a coisa mais normal do mundo. Fui até lá de carro e encontrei minha filha de sete anos no quintal, em pé dentro de um buraco, chorando, porque "a vovó disse que meninas más dormem em covas". Quando a tirei do chão gelado, ela se agarrou ao meu pescoço e sussurrou, tão baixinho que mal consegui ouvi-la: "Papai... não olhe no outro buraco".

Voltei da minha missão três dias antes do previsto. Minha filha não estava no quarto dela. Minha esposa disse que ela estava na casa da avó. Eu dirigi até lá.

Minha filha estava no quintal, parada dentro de um buraco, chorando. "A vovó disse que meninas más dormem em covas."

O ar estava congelante. Eu a puxei para fora e ela se agarrou ao meu pescoço como se tivesse esquecido como se soltar. Então ela sussurrou, tão baixinho que mal consegui ouvi-la: "Papai... não olhe no outro buraco."

A casa estava escura quando Eric McKenzie entrou na garagem pouco depois das três da manhã.

Três dias antes. A missão fora encurtada após uma resolução diplomática que ninguém previra, e ele pegara o primeiro transporte saindo de Cabul como se seu corpo pudesse suportar os meses que deixara para trás. Dezesseis horas no ar, mais uma etapa de trâmites na base e, em seguida, a longa viagem de volta para a zona rural da Pensilvânia, com apenas café, adrenalina e um pensamento teimoso o mantendo acordado.

O rosto de Emma. Seis meses. Esse foi o tempo que ele ficou fora dessa vez. Emma tinha sete anos. Ele perdeu o aniversário dela por duas semanas. A culpa o corroía em cada patrulha, em cada missão, em cada momento em que dizia a si mesmo que estava fazendo a coisa certa.

Mas essa foi sua última missão. Ele já havia entregado a documentação. Depois de doze anos com os Rangers, Eric estava voltando para casa definitivamente.

Ele desligou o motor e ficou sentado ali por um momento, saboreando o silêncio. Nenhum barulho distante. Nenhuma sirene. Nenhuma conversa no rádio. Apenas grilos e o sussurro do vento entre os pinheiros. A casa estava exatamente como ele a havia deixado: as venezianas azuis que Brenda insistira em colocar, os vasos de plantas que provavelmente já estavam murchos no final do outono, o balanço de pneu pendurado no carvalho no jardim da frente.

Eric pegou seu saco de dormir e foi silenciosamente até a porta da frente. Queria fazer uma surpresa. Brenda estaria dormindo, mas talvez Emma estivesse acordada; talvez tivesse tido um pesadelo. Ela costumava se deitar com ele quando estava com medo. O pensamento lhe causou um nó no peito.

A porta não estava trancada.

Essa foi a primeira coisa que me pareceu errada.

Ele já havia dito a Brenda centenas de vezes para trancar a porta, principalmente quando ela estivesse de plantão. Eric a empurrou devagar, entrando sem permissão. A casa estava silenciosa demais. Não era a quietude suave do sono, mas algo mais pesado, como se o próprio ar estivesse prendendo a respiração.

Ela se moveu pela sala. Louça na pia. Correspondências espalhadas pela bancada. A bolsa de Brenda sobre a mesa. Subiu as escadas com cuidado e deliberação, como quando se movia por prédios no exterior quando algo parecia errado.

A porta do quarto dela estava aberta. Brenda estava lá, esparramada na cama com as roupas que usara naquele dia, um braço pendendo para fora da beirada. Uma garrafa de vinho vazia estava sobre o criado-mudo como se pertencesse àquele lugar.

Eric cerrou os dentes.

Ele foi até o quarto de Emma, ​​empurrando a porta decorada com adesivos de princesas que ela havia escolhido antes de sair.

Vazio.

A cama estava feita. O Sr. Hoppers, o coelho de pelúcia com quem Emma dormia desde os dois anos de idade, havia sumido. Seus sapatos não estavam perto da porta.

Eric voltou para o quarto. Sacudiu o ombro de Brenda com mais força do que pretendia. Ela acordou sobressaltada, com os olhos vidrados e confusos.

"Eric... o quê? Você não deveria estar..."

"Onde está Emma?"

Brenda piscou, como se tentasse reviver o momento. Eric não a deixou.

"Que horas são?", murmurou ele.

"Onde está nossa filha?"