Um pai e sua filha desapareceram nos Pirineus; cinco anos depois, excursionistas descobrem o que estava escondido no fundo de uma fenda na montanha.

Não consigo me mexer. Você precisa ficar...

Terminou abruptamente.

"Julian estava ferido", disse Morel em voz baixa. "E Clara... ainda estava viva."

Mas nenhum dos corpos estava presente.

Ainda mais perturbador: alguém estava contando os dias. Três riscos verticais, repetidos inúmeras vezes, cobriam a parede.

Pelo menos trinta pontos.

Um mês preso.

Com o aumento da pressão, a área de busca se expandiu. E então algo novo surgiu: uma corda moderna, recém-instalada, que não pertencia a ninguém envolvido — nem às vítimas, nem às equipes de resgate.

“Havia mais alguém aqui”, disse Morel, encarando a pedra silenciosa.

A montanha não respondeu.

Mas no dia seguinte, finalmente algo aconteceu.

O terceiro dia provou ser crucial. Bem acima da caverna, em uma passagem vertical íngreme, os pesquisadores encontraram pegadas tênues e recentes. Recentes demais para serem de alguém de cinco anos atrás. E tênues demais para serem de um adulto.

Algumas horas depois, enterrado sob pedras soltas, descobriram um pequeno pingente em forma de estrela. O favorito de Clara. Aquele que ela nunca tirava.

Então veio a descoberta que silenciou toda a cordilheira.

Em uma prateleira, escondido por ervas daninhas secas, jazia um kit de primeiros socorros de metal, enferrujado, mas ali colocado de propósito. Dentro havia bandagens, restos de remédios... e um bilhete cuidadosamente dobrado e selado em plástico.

Morel abriu. A caligrafia trêmula era inconfundivelmente de Julian:

Se alguém encontrar isso, por favor, ajude-a. Não foi culpa dela. Ela voltou, mas não era a mesma. Não conseguimos descer as escadas. Tentamos ligar. Se Clara estiver viva... por favor, cuidem dela.

“Ele voltou.”

QUEM?

A família chegou à sua própria conclusão. Antes de seu desaparecimento, Julián havia entrado em conflito com um antigo parceiro de expedição, Aitor, que o acusou publicamente de roubar um projeto fotográfico conjunto. A briga entre eles foi amarga e pública.

Os investigadores descobriram que Aitor estivera nos Pirenéus na mesma semana em que Julián desapareceu, algo que ele nunca revelou.

Entretanto, as equipes descobriram uma estreita abertura no topo da fenda, que dava para uma área arborizada remota. Escondidos sob as folhas, encontraram um acampamento antigo e rudimentar: uma fogueira, uma faca enferrujada e embalagens de comida espalhadas.

E entre elas, a descoberta mais comovente até agora: um sapatinho. De Clara. Junto com pedaços de suas roupas.

Mas não há ossos.

Ela não havia morrido ali.

“Isso muda tudo”, disse Morel. “Eles conseguiram. Com ajuda ou sob o controle de alguém.”

A investigação finalmente revelou que os pastores de fato viram Aitor na área. Uma hipótese ganhou força: a de que ele teria encontrado Julián e Clara após o acidente, confrontado Julián sobre a disputa pessoal entre eles e agravado a situação até que os adultos fossem separados, deixando Clara vulnerável e aterrorizada.

Aitor foi preso, mas negou tudo. Insistiu que tentara chamar ajuda, mas ao retornar descobriu que eles haviam desaparecido.

Mas a questão mais angustiante permanece:

Onde está Clara agora?

Equipes de busca vasculharam as montanhas durante semanas. Rastros dispersos apareceram, mas nunca um corpo. As autoridades agora acreditam que Clara pode ter sido acolhida por alguém em uma vila isolada... ou tentado caminhar sozinha para um local seguro.

Cinco anos depois, o caso permanece em aberto.

A montanha revelou muitos segredos, mas não o mais importante.

Clara ainda pode estar viva.

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