Toda terça-feira eu encontrava a lição de casa amassada de uma criança no meu lixo. Uma noite, ele me disse que os agricultores não valiam nada, assim como eu.

Vivi setenta e dois anos nesta terra. Meu nome é Ray. Por aqui, me chamam de "o velho fazendeiro com o celeiro quebrado", e acho justo. Minha esposa faleceu, meus filhos cresceram e, na maioria dos dias, sou só eu, as vacas e esta terra teimosa que se recusa a ceder.

"Ninguém se importa."
"A escola é inútil." Isso me magoava profundamente todas as vezes. Porque, certa vez, eu fui esse menino. Os professores diziam que minhas mãos serviam para ordenhar vacas, não para segurar lápis. Meu pai dizia: "Com cérebro não se planta milho." E eu acreditei nele, até que fosse tarde demais.

 

Uma noite, eu o peguei. O menino. Parado perto do meu galpão, sob a luz de segurança, segurando outra página rasgada. Seu nome era Tommy, o vizinho, doze anos, com sardas e sapatos grandes demais.

"O que você está fazendo com o meu lixo?", gritei, tentando não assustá-lo.
Ele estremeceu, mas retrucou: "Não é lixo, é meu dever de casa. Papai diz que eu vou acabar como você: cavando na terra, sem nada para mostrar."

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