Na manhã seguinte, depois que ele saiu para o trabalho, verifiquei a gaveta da cozinha. A garrafa ainda estava lá: meio cheia, sem rótulo.
Minhas mãos tremiam enquanto eu o colocava em um saco plástico e ligava para meu advogado.
Em uma semana, abri um cofre, transferi minhas economias e troquei as fechaduras da minha casa de praia.
Naquela noite, sentei Ethan e contei a ele o que o médico havia descoberto.
Por um longo tempo, ele não disse nada. Então suspirou; não com culpa ou tristeza, mas como se tivesse arruinado algo que havia cultivado com tanto cuidado.
"Você não entende, Lillian", disse ele suavemente. "Você se preocupa demais, pensa demais. Eu só queria que você relaxasse... parasse de envelhecer com estresse."
Suas palavras me arrepiaram.
"Ficar chapado?" perguntei. "Tirando minha liberdade de escolha?"
Ele simplesmente deu de ombros, como se não fosse nada sério.
Essa foi a última noite em que ele dormiu na minha casa.

Um novo começo
Solicitei a anulação do casamento. Meu advogado me ajudou a obter uma ordem de restrição, e as autoridades apreenderam o frasco como prova. Foi confirmado que o composto era um sedativo vendido sem receita médica.
Ethan desapareceu pouco depois, deixando para trás apenas perguntas que eu já não tinha mais interesse em fazer.
Mas a parte mais difícil não foi a ausência dele, e sim reconstruir minha confiança.
Durante meses, eu acordava no meio da noite, assustado com cada ruído. Mas, aos poucos, a paz retornou.
Vendi minha casa na cidade e me mudei definitivamente para a casa de praia, o único lugar que ainda sentia que era meu.
Todas as manhãs, caminho pela areia com uma xícara de café e me lembro:
Bondade sem honestidade não é amor.
Afeto sem liberdade é controle.
Três anos se passaram. Tenho sessenta e dois anos.
Dou aulas de ioga para um pequeno grupo de mulheres acima de cinquenta anos; não para entrar em forma, mas para ganhar força, paz e autoestima.
Às vezes, meus alunos me perguntam se eu ainda acredito no amor.
Eu sorrio e respondo:
Claro.
Mas agora eu sei: o amor não é o que te dão, mas o que nunca te tiram.
E todas as noites, antes de dormir, ainda preparo um copo de água morna: mel, camomila e nada mais.
Eu a levanto em direção ao meu reflexo e sussurro:
"Para a mulher que finalmente acordou."
Para ver os tempos de cozimento completos, vá para a próxima página ou clique no botão (>) e não se esqueça de COMPARTILHAR com seus amigos do Facebook.