-Não farei isso.
—Então nos vemos no tribunal amanhã. E traga uma escova de dentes. A Sra. Kensington pedirá sua prisão.
Elodie olhou para a foto de seus filhos, cobertos de sorvete, felizes.
—Até amanhã, Arthur. E diga à Victoria para se vestir confortavelmente. Vai ser um dia longo.
O tribunal estava lotado de jornalistas e artistas. Victoria, vestida de preto, derramou lágrimas ensaiadas. Ao seu lado, estavam advogados agressivos.
Elodie sentou-se sozinha à mesa da defesa.
Ela não precisava de um advogado. Ela era um.
Quando chegou a sua vez de falar, ele o fez sem tremer.
—Meu interlocutor fala sobre legado. Eu falo sobre filhos. Leo e Oliver são saudáveis, felizes e amados. E até três dias atrás, os Kensingtons não demonstraram o menor interesse em saber quem eles eram.
"Objeção!" exclamou o advogado.
Elodie pegou uma pilha de documentos.
—Anexo A. Faturas pagas por uma empresa de fachada de Victoria Kensington à minha ex-ginecologista, coincidindo com minhas consultas pré-natais. Ela sabia que eu estava grávida. Ela sabia que eram gêmeos. Ela sabia o sexo. E optou por ocultar a informação para garantir uma fusão corporativa.
O murmúrio transformou-se em tempestade.
Vitória empalideceu.
Então Elodie disse, com calma cirúrgica:
—E se você precisar de uma testemunha de caráter… eu ligo para o pai das crianças.
As portas se abriram.
Lucas Kensington entrou vestindo jeans e uma camisa amassada. Sem fazer a barba. Um homem consumido pelo vazio.
Victoria sentou-se, desesperada.
—Lucas…!
—Sente-se—, ordenou o juiz.
Lucas subiu na plataforma. Ele olhou para a mãe com uma mistura de desgosto e tristeza.
Elodie perguntou, como se ele fosse um estranho:
—Você tinha conhecimento da existência de seus filhos?
"Não", disse Lucas. "Eu não sabia."
—Você considera sua mãe uma guardiã adequada?
O silêncio era absoluto.
Lucas respirou aliviado.
—Não. Minha mãe gosta mais de ter controle do que das pessoas. Ela não quer a guarda por amor. Ela quer relações públicas. Ela quer aumentar sua popularidade. Ela os vê como acessórios.
Victoria fingiu um acesso de indignação, mas ninguém comprou o teatro.
Elodie baixou um pouco a voz.
—E você? Quer a guarda dos filhos?
Lucas olhou para Elodie, viu sua força, sua firmeza, a muralha que ela construiu para seus filhos.
"Não tenho o direito de pedir a guarda. Eu não estava lá. Eu não os protegi. Ela que os protegeu. Tirar eles de mim seria cruel. Eu só quero... a chance de conquistar um lugar na vida deles. Como pai. Não como um Kensington."
O juiz tomou nota e depois olhou para Victoria.
—Pedido indeferido. E, pelas violações da privacidade médica, é expedida uma ordem de restrição. A uma distância de 150 metros da mãe e das crianças.
A vitória irrompeu.
—Eu sou Victoria Kensington! Você não pode fazer isso comigo!
O juiz bateu o martelo.
-Eu já fiz.
Lá fora, em meio aos flashes das câmeras, o triunfo tinha gosto de exaustão. Elodie caminhava, com os nervos ainda à flor da pele, quando uma mão grande protegeu seus olhos das câmeras.
Era Lucas.
Ele a acompanhou até o carro dela.
"Obrigada", disse ela, com rigidez.
"Eu disse isso no tribunal", respondeu ele. "Não quero tirá-los de você. Eu só... quero conhecê-los. Por favor."
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