Victoria e Isabela avançaram sobre mim como predadoras. Recuei, mas não havia para onde ir. Duzentas pessoas formaram um círculo ao nosso redor, com os celulares em punho, gravando cada segundo da minha humilhação. O que aconteceu em seguida me assombrará pelo resto da vida. Victoria agarrou meu braço, suas unhas impecavelmente feitas cravando na minha pele. "Se você não cooperar, faremos isso à força." "Por favor", implorei. "Por favor, não façam isso. Não levem nada, por favor." Mas elas não se importaram com meus apelos.
Isabela agarrou meu outro braço e, juntas, começaram a puxar meu vestido. Eu me debati, tentando me proteger, mas eram duas, e eu já tremia tanto que mal conseguia ficar de pé. O zíper do meu vestido abriu. Gritei, tentando segurar o tecido contra o corpo, mas Victoria o puxou com força. O vestido caiu aos meus pés, e eu fiquei ali, no meio daquele grande salão de baile, apenas de roupa íntima, sob os holofotes destinados à celebração.
Duzentas pessoas assistiram, duzentos celulares filmaram. A orquestra parou de tocar. Não havia som algum, exceto meus soluços e o clique dos celulares registrando minha destruição. Victoria pegou meu vestido e o revistou violentamente, rasgando os bolsos, sacudindo-o. Nada, anunciou ela. Mas isso não significa que eu não o tenha escondido em outro lugar. Isso é uma loucura, gritei, me abraçando. Eu não peguei o colar dela. Tirem-na daqui, ordenou Roberto aos seguranças. Expulsem essa ladra da nossa propriedade.
Dois homens grandes de terno se aproximaram de mim. Olhei mais uma vez para Carlos, implorando silenciosamente para que ele fizesse alguma coisa. Qualquer coisa. Ele congelou, o rosto pálido, mas não se moveu. Não disse uma palavra, apenas virou as costas para mim e foi embora. Aquele momento quebrou algo dentro de mim. Não a humilhação, não as falsas acusações, mas ver o homem que eu amava escolher a aprovação da família em vez da minha dignidade. Os guardas me agarraram pelos braços e me arrastaram pela multidão.
As pessoas se afastaram como se eu estivesse doente. Algumas cuspiram insultos em mim. Interesseira, ladra, lixo. Ouvi tudo enquanto me arrastavam pela mansão, subindo a escadaria de mármore, passando pelos lustres e flores, e toda aquela beleza cara que escondia tanta feiura por baixo. Me jogaram para fora pela porta da frente e a fecharam atrás de mim. Desabei no chão frio lá fora, tremendo de frio de roupa íntima. Meu corpo inteiro tremia de frio. Lá dentro, a festa continuava.