
Ela criticava minhas roupas, meu cabelo, meu jeito de falar. Nada do que eu fazia estava certo. O pai de Carlos, Roberto, simplesmente me ignorava. Eu podia entrar em uma sala e ele me atravessava como se eu fosse invisível. Talvez isso fosse pior do que a crueldade ativa de Victoria. Pelo menos ela reconhecia minha existência, mesmo que fosse só para me destruir. E então havia Isabela, a irmã mais nova de Carlos. Ela era talvez a pior de todas, porque sorria enquanto esfaqueava as pessoas.
Ela elogiava meu vestido, mas depois cochichava com as amigas que parecia barato. Me convidava para almoçar. Depois, passava o tempo todo falando sobre como Carlos poderia ter se casado com qualquer uma, quantas garotas lindas e ricas o desejavam. A mensagem constante era clara. Eu tinha sorte de estar ali e deveria ser grata por me tolerarem, mas eu tentei. Meu Deus, como eu tentei. Pensei que, se fosse paciente e gentil o suficiente, eventualmente me enxergariam como eu realmente era. Pensei que o amor seria suficiente.
Carlos me disse para não me preocupar, que a família dele mudaria, mas nunca me defendeu. Só me disse para me esforçar mais, para entender que eles eram assim. Dois anos se passaram dessa forma, dois anos engolindo meu orgulho, aceitando a falta de respeito, fingindo que estava tudo bem. E então chegou nosso segundo aniversário. Victoria insistiu em dar uma festa de aniversário para nós. Não para nós, claro, mas para ela, para se exibir para as amigas da alta sociedade, para provar que o filho tinha a vida perfeita, mesmo que a esposa, nas palavras dela, fosse azarada.
Eu queria dizer não, mas Carlos me convenceu. "Talvez essa seja a maneira dela de te aceitar", disse ele. Eu deveria ter imaginado. A festa era no rancho Montemayor, e Victoria não havia economizado em nada. Quando cheguei naquela noite, não acreditei no que vi. Lustres de cristal pendiam por toda parte. Cada um provavelmente valia mais do que a casa da maioria das pessoas. Uma orquestra tocava música clássica ao vivo em um canto. Fontes de champanhe borbulhavam com garrafas caras cujos nomes eu nem conseguia pronunciar.
Havia esculturas de gelo, torres de flores importadas e um tapete vermelho que conduzia à entrada, onde fotógrafos aguardavam. Mais de 200 pessoas foram convidadas. Não amigos, não familiares, mas magnatas dos negócios, celebridades, políticos — qualquer pessoa importante na alta sociedade. Mulheres cobertas de diamantes e vestindo vestidos de estilistas que custavam mais do que carros. Homens em ternos sob medida e relógios que poderiam financiar a faculdade de um filho. Carros de luxo enfileirados por quilômetros, conduzidos por uma companhia de balé.