Ela guardou a foto, abriu o laptop e começou a responder e-mails: conselhos municipais de outras cidades querendo projetos de moradia decente, empresas perguntando como haviam reduzido a diferença salarial entre homens e mulheres, jovens escrevendo apenas para dizer: “Obrigada. Você me lembrou que não sou menos importante por causa de onde venho.”
Sofia sorriu, cansada e feliz. Pensou no ônibus daquela primeira manhã, na recepcionista que a ignorou, nas risadas na sala de reuniões, no copo d'água de Clara, na sombra de Ramos e no pedido de desculpas dele meses depois. Pensou em Enrique na calçada, com a mão no peito, olhando para o nada e acreditando que ninguém pararia para ajudá-lo.
Alguém parou. Alguém disse: "Sua vida importa". E tudo mudou.
Talvez, pensou Sofia, não fosse preciso herdar uma empresa para mudar o mundo. Bastava escolher, a cada dia, ser aquela pessoa que para quando todos os outros continuam.