—Por favor, Sra. Garcia, sente-se.
Sofia caminhou até a cadeira, sentindo todos os olhares fixos em suas roupas simples, suas mãos trêmulas, sua velha bolsa. Ela ouviu um sussurro abafado:
—E quem é este?
O advogado sênior pigarreou.
—Bom dia. Como sabem, esta reunião extraordinária foi convocada para tratar de um assunto da maior importância: a mudança no controle acionário da empresa.
Ramos levantou a mão, visivelmente irritado.
"Dr. Torres, com todo o respeito. Fomos informados de que esta reunião seria sobre questões de ações, a Peterson Capital, os diretores..." Ele acenou com a cabeça na direção de Sofía. "Mas há alguém aqui que não deveria estar nesta sala. Podemos esclarecer isso?"
Outra executiva, loira e vestindo uma jaqueta vermelha, o apoiou:
"Isto é confidencial. Este não é o lugar para..." Ele olhou para ela de soslaio. "...pessoas não autorizadas. Não deveríamos chamar a segurança?"
O advogado deixou-os falar e, quando o murmúrio cessou, disse calmamente:
—Solicitei a sua paciência precisamente para que eu pudesse fazer as apresentações formais. Senhoras e senhores: apresento-lhes a Sra. Sofía García López, que a partir de hoje é a acionista majoritária desta empresa.
Primeiro houve silêncio. E depois, risos.
Ramos foi o primeiro a rir, recostando-se na cadeira. O executivo careca à sua direita bateu com o punho na mesa, gargalhando.
"Muito bem", disse ela, enxugando as lágrimas. "Acionista majoritária. Doutor, estou começando a achar que o senhor também é comediante."
A mulher de jaqueta vermelha mal conseguia respirar.