Diante dela erguia-se a torre de vidro e mármore do “Valdés Castillo”: vinte e cinco andares que pareciam morder o céu, refletindo as nuvens como se o edifício se considerasse mais importante que o próprio horizonte. Sofia engoliu em seco. Este era o coração financeiro da cidade, um mundo que ela sempre observara do ônibus, em silêncio, a caminho de trabalhos que ninguém mais via.
Ela tirou o celular da bolsa. A tela trincada mostrava a hora: 8h31. Abaixo, o e-mail que ela já tinha lido dezenas de vezes, como se pudesse ser apagado a qualquer momento.
Assunto: Assembleia extraordinária de acionistas e do conselho de administração.
Local: 23º andar, Sala de Reuniões Executivas.
Horário: 9h.
Presença obrigatória da Sra. Sofía García López.
O texto estava repleto de palavras que ela nunca havia usado: "controle acionário", "transferência de ações", "escritura autenticada". Mas a frase que mais a incomodava era simples: "afeta diretamente a propriedade da empresa". Sua. Propriedade. Empresa. Pareciam conceitos de outra vida.
Ela respirou fundo e caminhou em direção às portas giratórias. Ao entrar, um executivo esbarrou em seu ombro sem se desculpar, falando ao celular sobre "valores de oito dígitos". Uma mulher perfumada passou por ela, lançando-lhe um olhar de soslaio, como se Sofia tivesse entrado por engano em uma área exclusiva.
O saguão lembrava o de um hotel de luxo: mármore reluzente, lustres de cristal, fontes minimalistas e sofás de couro onde alguns homens folheavam revistas de negócios como se o mundo girasse em torno deles. No fundo, um longo balcão de madeira escura com um logotipo dourado impunha respeito.
Sofia avançou, percebendo como seus passos ecoavam alto demais no silêncio da sala. Atrás do balcão, três recepcionistas em uniformes azul-marinho. Maquiagem impecável, penteados perfeitos, sorrisos automáticos para cada homem de terno caro que passava.
Conforme Sofia se aproximava, o sorriso da recepcionista à sua frente foi desaparecendo gradualmente, como se alguém tivesse baixado uma persiana.
"Bom dia", disse Sofia, com a voz mais baixa do que esperava. "Tenho uma reunião às nove no 23º andar."
A recepcionista a olhou de cima a baixo, demorando-se em seus sapatos gastos e em sua bolsa velha.
"Uma reunião?", repetiu ela, num tom mais zombeteiro do que duvidoso. "Senhora, tem certeza de que este é o lugar? Isto é uma empresa, não—" baixou a voz—"um centro de assistência social. Para entregar seu currículo, o departamento de recursos humanos fica em outro prédio."
Sofia sentiu o rosto queimar.
"Não estou aqui à procura de emprego", respondeu ela, segurando o celular com força. "Fui convocada. Tenho o e-mail, se quiser ver."
"Estamos muito ocupados esta manhã", interrompeu a recepcionista, fazendo um gesto vago. "Não podemos perder tempo com mal-entendidos. Não há reuniões para pessoas sem credenciamento."