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Naquela tarde, Daniel entrou na cozinha com os papéis da venda na mão e um sorriso impaciente. Sem hesitar, exigiu que eu lhe transferisse todo o dinheiro. Disse que queria investir em um negócio com amigos, que era “agora ou nunca”. Respondi calmamente que não podia fazer isso, que aquele dinheiro era a minha segurança, que eu já havia trabalhado a vida toda. Emily, encostada no balcão, olhou para mim com um sorriso zombeteiro.
Daniel insistiu, elevou a voz e me chamou de egoísta. Lembrei-o de que eu havia pago sua faculdade, seu primeiro caminhão e até seu casamento. Então, o impensável aconteceu: ele me deu um tapa tão forte que minhas orelhas queimaram. "Tire essa velha daqui!", gritou ele, apontando para a porta. Emily bateu palmas, rindo como se fosse um espetáculo.
Eu não gritei. Eu não chorei. Senti algo pior: uma decepção fria e profunda. Levantei-me, com as mãos tremendo, e fui até meu quarto. Fechei a porta e sentei na cama, respirando com dificuldade. Pensei em Robert, no que ele diria se visse isso. Pensei nos meus anos de silêncio, em como permiti que pequenas ofensas se transformassem em algo monstruoso.
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