Naquela mesma tarde, depois de várias reuniões no escritório, pensei em Laura, minha melhor amiga desde a universidade. Ela havia me mandado uma mensagem no dia anterior, dizendo que tinha sido internada em um hospital em Segóvia com febre tifoide aguda. Laura morava sozinha naquela cidade desconhecida. Eu sempre tentei ajudá-la. A casinha onde ela estava hospedada era uma das minhas propriedades, e eu a havia deixado morar lá de graça por compaixão.
"Pobre Laura", murmurei. "Ela deve estar se sentindo tão sozinha."
Olhei a hora: duas horas. De repente, eu tinha a tarde livre e uma ideia me ocorreu: por que não visitá-la? Segóvia ficava a apenas algumas horas de distância, se o trânsito estivesse bom. Eu poderia surpreendê-la com seu ensopado favorito e uma cesta de frutas frescas.
Liguei para meu motorista, José, e então me lembrei de que havia ligado para avisar que estava doente. Então peguei minha Mercedes vermelha e dirigi, imaginando o rosto de Laura se iluminando ao me ver. Cheguei a planejar ligar para Ricardo mais tarde para contar como sua esposa estava sendo gentil. Eu já conseguia ouvi-lo elogiando-o.
Às cinco horas, cheguei ao estacionamento de um hospital particular de elite em Segóvia. Laura havia dito que eu estava no quarto VIP 305
.
Aquilo só me fez piscar. Laura não trabalhava. Como ela ia pagar por uma suíte daquelas? Mas o otimismo logo eclipsou minhas suspeitas. Talvez ela tivesse alguma reserva. E se não, tudo bem. Eu daria um jeito. Com
a cesta de frutas na mão, caminhei pelos corredores que cheiravam a antisséptico, embora tudo estivesse impecável e caro. Meus passos ecoavam no mármore. Meu coração não estava com medo, estava ansioso.
O elevador tocou no terceiro andar. Encontrei o quarto 305 no final de um corredor silencioso, um pouco isolado. E, ao me aproximar, notei que a porta não estava totalmente fechada, apenas entreaberta.
Levantei a mão para bater... e congelei.
Uma risada escapou de mim.
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