Ele não queria assustá-la. Não queria fazer perguntas que soassem como um interrogatório. Mas também não conseguia ignorar o medo em sua voz ou sua postura cautelosa, como se qualquer movimento pudesse machucá-la.
"Querida", eu disse suavemente, "não estou brava com você. Nunca. Só preciso entender para poder ajudar."
Sophie hesitou, depois falou em fragmentos, como se escolhesse cada palavra com cuidado.
"Derramei suco", disse ele. "Mamãe ficou muito brava. Ela disse que eu fiz de propósito. Ela me empurrou contra o armário e minhas costas bateram em algo duro."
Sua voz embargou e ela apertou os lábios como se tentasse não chorar.
"Fiquei sem ar por um minuto", ela sussurrou. "Fiquei com medo."
Senti uma pressão tão forte no peito que precisei respirar fundo.
"Ele te levou ao médico?", perguntei, já temendo a resposta.