Quando minha irmã triplicou meu aluguel e deu um sorrisinho irônico enquanto nossos pais diziam que era justo, ela não fazia ideia de que eu era a dona secreta do prédio inteiro havia três anos... ou que minha avó tinha me deixado tudo o que eu precisava para destruir completamente os planos dela.

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Sua avó guardava tudo arquivado. Recibos de 1987. Declarações de imposto de renda de décadas atrás. Ela era meticulosa. Ruth se levantou com uma agilidade surpreendente. "Se algo der errado nessa situação toda, haverá um rastro documental."

Pensei no cofre vazio. No bilhete enigmático.

“Estive a mexer nas coisas dela, mas… não no banco, querida. Aqui.” Ruth bateu o pé. “A Edith tinha pavor de cofres de segurança depois da crise dos bancos de poupança. Ela guardava os documentos importantes por perto.”

Meu coração deu um salto. "Onde?"

“É isso que precisamos descobrir.” Ruth caminhou até a minha porta e depois se virou. “Comece pelo apartamento dela. Eu sei que Sabrina o esvaziou, mas Edith era esperta. Ela teria escondido qualquer coisa importante em algum lugar onde sua irmã não pensaria em procurar.”

“Sabrina contratou uma empresa de limpeza profissional para verificar tudo. Não sobrou nada.”

“Você olhou dentro das tampas dos radiadores? Atrás dos painéis elétricos? Debaixo do assoalho do guarda-roupa que sempre rangia?” Ruth sorriu ao ver minha expressão de espanto. “Edith e eu compartilhamos muitos segredos durante o chá, inclusive onde ela guardava seu estoque de chocolate para emergências.” Depois que Ruth saiu, fiquei sentada no meu apartamento, remoendo tudo na minha cabeça. O prédio parecia diferente agora; não era mais meu local de trabalho e minha casa, mas um quebra-cabeça que minha avó havia deixado para trás.

Observe com mais atenção.

Peguei minhas chaves mestras e fui até o depósito no porão. O apartamento da minha avó ficava no canto mais afastado, supostamente vazio depois da eficiente limpeza da Sabrina. A porta de metal rangeu ao abrir, revelando paredes de concreto nuas e prateleiras empoeiradas. Mas Ruth tinha razão. Minha avó tinha sido esperta.

Comecei pelo óbvio, passando as mãos ao longo dos suportes da prateleira, procurando por parafusos soltos ou painéis escondidos. Nada.

Então me lembrei de algo: a obsessão da minha avó com sua velha máquina de costura Singer. Aquela que ela insistia em guardar, apesar de nunca usá-la.

"Sabrina achou que era lixo", murmurei ao ver a máquina no canto, coberta por uma lona empoeirada.

A máquina em si não estava produzindo nada, mas quando a movi, notei que o chão embaixo dela soava diferente. Oco.

Meu pulso acelerou quando encontrei as bordas de um quadrado cuidadosamente recortado no concreto, pintado para combinar perfeitamente. Dentro do compartimento secreto havia uma caixa à prova de fogo.

Minhas mãos tremiam enquanto eu abria a caixa, revelando pastas organizadas com etiquetas escritas à mão com a caligrafia precisa da vovó: extratos bancários, correspondências, documentos de construção e uma simplesmente marcada: Para Clare, quando chegar a hora.

Abri primeiro a pasta de correspondências e meu sangue gelou. Impressões de e-mails entre Sabrina e vários incorporadores imobiliários, datando de dois anos antes da morte da minha avó. Discussões sobre uma possível reforma, maximização do valor do terreno e aumentos estratégicos de aluguel para incentivar a desocupação voluntária. Um e-mail de Sabrina para uma empresa chamada Apex Development me deu náuseas.

Assim que tivermos o controle, podemos desocupar o prédio em seis meses. Os antigos inquilinos não vão reclamar se tornarmos a estadia deles suficientemente desconfortável.

Mas foi a pasta destinada a mim que continha a maior surpresa. Dentro dela havia uma carta escrita à mão pela minha avó.

Minha querida Clare: