²
Minha voz saiu embargada. "Meu aluguel vai subir de US$ 2.350 para US$ 7.100."
“O preço abaixo do mercado foi uma cortesia da vovó Edith.” O tom de Sabrina era frio e distante. “Mas não podemos administrar um negócio com base em sentimentalismo. Cada unidade que você paga abaixo do preço de mercado é dinheiro que deixamos para trás.”
“Isso é três vezes mais do que eu pago agora.”
“Na verdade, é 3,02 vezes o seu preço atual.” Ele sorriu. Um sorriso genuíno. “Mas não se preocupe. Como família, estamos lhe dando 60 dias em vez dos habituais 30.” Meu pai insistiu.
Lembrei-me de Ruth Saunders, do apartamento 3B, que morava ali há 15 anos. Da família Nwen, do apartamento 2A, com seu bebê recém-nascido. Do senhor Petrov, já idoso, alimentando os gatos de rua atrás do prédio.
“E quanto aos outros?”, perguntei. “Eles também vão aumentar o aluguel?” “Ajustes gerais aos preços de mercado.” Ele pegou o celular, já a caminho da próxima tarefa. “Quem puder ficar, ficará. Quem não puder…” Deu de ombros. “Encontraremos moradia que se encaixe no orçamento deles.”
"Você quer dizer que eles ficarão sem teto?"
“Você vai encontrar uma casa que caiba no seu orçamento.” Ela ergueu os olhos da tela e, por um instante, vi um lampejo em seu olhar: irritação, desdém. “Este é o mundo real, Clare. A vovó te mimou, deixando você bancar a administradora de imóveis e mantendo os aluguéis artificialmente baixos. Mas ela já se foi há três anos e é hora de maximizar o potencial do patrimônio.”
“A vovó se importava com as pessoas.”
“A vovó era de outra época.” Sabrina se levantou, alisando a saia. “A votação foi unânime, Clare. Mamãe e papai concordam. É o melhor para o futuro financeiro da família.”
As palavras foram como um golpe físico. Mamãe e papai votaram a favor.
“Eles entendem de negócios.” Ela caminhou em direção à porta e parou. “Ah, e precisamos que você distribua os avisos a todos os moradores até o final da semana. Como administradora do imóvel, essa ainda é a sua função por enquanto.”
A ameaça contida nessas duas últimas palavras não era sutil.
“Sabrina, por favor, podemos conversar sobre isso? Talvez um aumento menor?”
“Não há nada para discutir.” Ele se virou, e o sorriso em seu rosto era o mesmo que ele tinha quando me vencia no Banco Imobiliário quando éramos crianças, quando entrou em Yale enquanto eu era garçonete, quando comprou sua casa enquanto eu ainda morava de aluguel. “São apenas negócios, Clare. Não leve para o lado pessoal.”
A porta se fechou com um clique atrás dela, me deixando sozinho com a carta que destruiria tudo pelo que eu havia trabalhado tanto para manter.
Eu me deixei cair na cadeira, encarando os números que pareciam aumentar a cada olhar. US$ 7.100 — mais do que a maioria dos meus moradores ganhava em um mês. Pensei em ligar para meus pais, mas qual seria o sentido? Eles já tinham se decidido. Votaram a favor do plano da Sabrina sem nem me avisar que haveria uma reunião. A família tinha decidido, e eu não era exatamente da família. Eu era apenas a irmãzinha que administrava o prédio, cujo aluguel abaixo do valor de mercado era uma cortesia que eles não podiam mais se dar ao luxo de oferecer.
Meu celular vibrou. Era uma mensagem da Sabrina.