Apertei o botão.
A voz da minha mãe irrompeu como uma tempestade.
“Lena, finalmente.”
“Você tem ideia do nível de estresse que temos passado?”
“Por que você não respondeu?”
“Eu estava no hospital”, eu disse.
Silêncio — um instante longo demais. Então ela pigarreou.
“Bem, sim, mas isto é sério. Chloe está em crise, e—”
Não a deixei terminar.
“Você falsificou minha assinatura.”
Mais uma batida.
Meu pai interrompeu, com a voz estrondosa.
“Você precisa ligar para o banco hoje. Eles não vão falar conosco sem você. O futuro da sua irmã está em jogo.”
“Pai”, eu disse, calma, mas tremendo, “você usou minha assinatura sem minha permissão”.
Um silêncio sufocante tomou conta da linha.
Minha mãe surtou.
“Só fizemos isso porque você é responsável. Você consegue lidar com isso melhor do que a Chloe. Pare de ser dramática.”
Aquela palavra — dramático — me atingiu como um soco. A mesma palavra que Chloe usou na legenda enquanto eu estava deitada no pronto-socorro.
Os olhos de Serena se arregalaram quando ela se sentou ao meu lado, sussurrando:
“Diga. Você sabe o que dizer.”
Respirei fundo, como se estivesse entrando em uma nova vida. Conversei com um advogado. Eu disse:
“O que você fez é ilegal e eu não vou assinar. Não vou pagar. E se você continuar me contatando sobre esse empréstimo, tomarei medidas legais.”
O silêncio que se seguiu foi profundo. Então meu pai rosnou:
“Você está nos ameaçando?”
“Estou me protegendo.”
A voz da minha mãe passou da raiva para a súplica.
“Precisamos de você. Por favor, Lena. Podemos perder tudo.”
Há um ano, isso teria me destruído. Hoje, apenas revelou a verdade.
Apertei o botão vermelho.
A chamada foi encerrada.
Minhas mãos tremiam, mas não de medo — de libertação. Minhas mãos tremiam de libertação, de algo que se soltava dentro de mim depois de anos de tensão excessiva.
O silêncio no meu apartamento era diferente de qualquer outro silêncio que eu já tivesse conhecido. Não estava à espera que eu resolvesse algo. Não me oprimia com expectativas. Era quieto, constante, quase pacífico.
Serena soltou um suspiro lento ao meu lado.
"Você conseguiu", ela sussurrou, as palavras suaves, orgulhosas e um pouco atônitas.
Miguel, ainda sentado no chão perto da mesa de centro, olhou para cima.
"Como você está se sentindo?"
Procurei a resposta. O medo não estava lá. A culpa surgiu, mas não se enraizou. O que me preencheu, em vez disso, foi algo desconhecido — o ar. Talvez o espaço.
"Mais leve", eu disse, como se estivesse carregando uma pedra enorme que nem sabia que estava ali.
Serena sorriu e deu um empurrãozinho no meu ombro.
“Então vamos nos livrar do resto das pedras.”
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