Ela ficou me encarando por um instante, como se estivesse ponderando se deveria insistir na discussão. Então me abraçou forte e sussurrou:
“Não me assuste hoje.”
Quando nos sentamos, o sol já estava alto o suficiente para brilhar diretamente nos meus olhos. Eu piscava constantemente para tentar clarear a visão, mas o mundo já parecia muito claro. O discurso do reitor se prolongava interminavelmente, um turbilhão de palavras que eu não conseguia acompanhar.
Observei as arquibancadas com o olhar. Fileiras e mais fileiras de pais com câmeras na mão, famílias vibrando, crianças acenando com cartazes, alguns alunos apontando para seus entes queridos, com os rostos radiantes de alegria.
Meus assentos estavam vazios.
Mesmo assim, verifiquei meu celular, como se talvez algo tivesse mudado nos poucos minutos desde que me sentei. Nada — apenas uma notificação do aplicativo de previsão do tempo informando que Boston estaria quente esta tarde.
Senti um nó na garganta. Mantive o olhar fixo à frente, as unhas cravando na palma da mão.
Então meu celular vibrou de novo. Peguei-o rapidamente, com o coração acelerado apesar de mim mesma. Uma mensagem da minha mãe:
“O trânsito está ruim. Chegaremos lá em breve. Podem ir sem nós.”
Senti um frio na barriga. Era a mesma mensagem que ela já havia enviado antes — inúmeros recitais, eventos escolares, marcos importantes — palavras que se traduziam em: Não vamos.
Enfiei o telefone no bolso, engolindo o amargor que subia pela minha garganta.
Um instante depois, o microfone estalou.
“Formandos, por favor, levantem-se.”
Senti minhas pernas rígidas, mas permaneci de pé junto com todos os outros. Palmas ecoaram no ar enquanto os alunos começavam a se mover em direção ao palco em fileiras organizadas. Meu pulso acelerou. Minha visão turvou nas bordas. O sol parecia mais quente, mais pesado.
A voz de Evan vinha de algum lugar atrás de mim.
"Lena-"
Virei-me, mal conseguindo captar sua expressão preocupada antes que minha fila começasse a se mover. Forcei um pequeno aceno para tranquilizá-lo.
Eu não estava bem.
Continuei caminhando.
Quanto mais perto chegava do palco, mais meu corpo se rebelava. O suor picava sob meu vestido. Meu coração batia descompassadamente. O chão balançava levemente, como se eu tivesse entrado em um barco. Os aplausos ao meu redor se tornavam distantes, abafados, como se o ar tivesse se transformado em algodão grosso.
"Fica comigo", sussurrei para mim mesma. "Só mais alguns passos."
“Lena Hart.”
Ouvir meu nome ecoar pelo campo deveria ter sido um momento de triunfo. Em vez disso, senti que era o fim — como se algo dentro de mim reconhecesse que ali seria o ponto de ruptura.
Dei um passo à frente, depois outro, e então o mundo deu um solavanco para o lado.
Um zumbido alto encheu meus ouvidos. As luzes do palco se transformaram em borrões brancos. Meus joelhos fraquejaram e, antes que eu pudesse me firmar, o chão veio ao meu encontro.
Gritos de espanto ecoaram ao meu redor. Mãos agarraram meus ombros, meus braços. Vozes se sobrepuseram — urgentes, frenéticas.
“Chame o SAMU!”
“Ela está respirando?”
“Afastem-se!”
Meus olhos se abriram, mas tudo se misturou: rostos, céu, movimento. Uma frieza se espalhou pelos meus dedos enquanto a sensação nas minhas mãos começava a desaparecer. Tentei falar, mas nenhum som saiu.
Depois, nada.
Quando acordei de novo, o antisséptico ardia no meu nariz. O teto da emergência me encarava — plano e insensível. Um cobertor quente cobria minhas pernas e um soro intravenoso puxava meu braço. O bipe constante de um monitor marcava o ritmo do meu coração, lento e trêmulo.
Um médico se inclinou sobre mim.
“Lena, você consegue me ouvir?”
Assenti com a cabeça fracamente.
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