"Nada de cafeína para você até comer alguma coisa. Juro que você está ficando transparente."
Ela disse isso com leveza, mas seus olhos me observavam como as pessoas observam um copo na beira de uma mesa.
Consegui tomar alguns goles e depois me forcei a entrar no ritmo do dia. O pronto-socorro estava lotado. Sempre estava. Ajudei na triagem dos pacientes, inseri dados, chamei o transporte, acionei os médicos. Trabalhei como sempre trabalhei — eficiente, silenciosa, confiável. A forte.
Mas em algum momento no final da manhã, enquanto anotava os sinais vitais de um paciente recém-admitido, os números no monitor dobraram e depois ficaram borrados. Minha visão se dividiu por um segundo — duas imagens lutando entre si como se não conseguissem decidir qual era a real. Pisquei forte, e depois novamente.
A sala não ficou mais nítida.
A voz de Evan parecia vir de longe. Ele se aproximou, tocando levemente meu cotovelo.
“Ei. Olha para mim.”
Balancei a cabeça, tentando dissipar a névoa, mas o movimento fez as paredes inclinarem. Ele segurou meu braço antes que eu pudesse cambalear.
“Você precisa se sentar”, disse ele com firmeza.
“Estou bem.”
Sua expressão não mudou.
“Não, você não é.”
Ele me guiou até uma cadeira vazia perto do posto de enfermagem. Sentei-me porque minhas pernas cederam, não porque concordasse com ele. Ele se agachou na minha frente.
Você comeu alguma coisa hoje? Chá não é comida.
“Eu não estava com fome.”
Sua voz suavizou, mas seus olhos carregavam um aviso.
“Você está se esgotando. Qualquer um pode ver isso.”
Eu queria dizer a ele que não tinha tempo para me esgotar. Que eu só precisava aguentar a semana. Que a formatura estava chegando e que tudo se acalmaria depois. Mas só de pensar nisso, sentia como se estivesse enfiando pedras na garganta.
Um bipe alto me assustou e eu dei um pulo. Evan se levantou para atender, me lançando um último olhar antes de desaparecer atrás de uma cortina. Fiquei sentada ali com o pulso acelerado, a respiração irregular e os dedos formigando. Parecia que meu corpo estava tentando me mandar uma mensagem.
Eu simplesmente me recusei a ler.
Durante meu intervalo, saí para tomar um ar e me encostei na parede de tijolos atrás do hospital. O trânsito de Boston rugia à distância — buzinas soando, ônibus parando bruscamente. O barulho me ancorava de uma forma estranha. Me lembrava que o mundo continuava girando, independentemente da pressão que eu sentia no peito.
Miguel me mandou uma mensagem enquanto eu estava ali parado.
“Lena, você está bem? Parecia cansada ontem.”
“Eu? Estou bem. Só os turnos são longos.”
Três pontos apareceram, desapareceram e apareceram novamente. Ele finalmente escreveu:
“Avise-me se precisar de alguma coisa.”
Encarei a mensagem por mais tempo do que deveria. Precisar de alguma coisa nunca tinha sido uma opção. E ainda não parecia ser.
Naquela noite, depois do meu turno, arrastei-me até o campus para uma apresentação em grupo. Mal me lembro da discussão. As pessoas falavam, os slides passavam. Alguém me fez uma pergunta que não consegui processar, e respondi com algo vago o suficiente para passar. Quando fomos liberados, saí cambaleando para o corredor e senti o chão se inclinar sob meus pés novamente. Minha mão disparou para se apoiar na parede.
Uma garota que passava parou.
“Você precisa de ajuda?”
Forcei um sorriso.
"Só estou cansado."
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