Ao atravessar o quintal, ele parou abruptamente.
Isabela, sua filha, arrastava dois enormes sacos de lixo , tão pesados que mal conseguia movê-los. O vestido rosa que ele lhe comprara antes de partir estava rasgado na barra , manchado de terra e restos de comida podre. Seus sapatos brancos estavam cobertos de lama. Seu cabelo, que ela sempre usava trançado, estava sujo e emaranhado.
Mas o que mais a magoou não foram as roupas nem a sujeira. Foi o olhar dele.
Não foi o cansaço. Foi a resignação . Como se essa humilhação fosse uma parte normal da vida dele.
Lá em cima, no terraço, Beatriz Soto , sua esposa havia apenas seis meses, estava deitada numa espreguiçadeira, com um drinque na mão, rindo ao telefone, completamente indiferente ao sofrimento da menina.
“Não acredito como é fácil”, disse Beatriz, rindo. “Ela está trabalhando como empregada doméstica e o pai idiota dela nem percebe. A menina morre de medo de falar qualquer coisa com ele.”
Rodrigo sentiu uma fúria que nunca havia conhecido, mas a conteve. Ele precisava entender tudo. Escondeu-se entre os arbustos do jardim e observou.
Isabela dava alguns passos para a frente e parava, ofegante. Suas pequenas mãos estavam vermelhas e cobertas de bolhas .
“Isabela!” gritou Beatriz lá de cima. “Eu te disse para terminar isso há uma hora. Anda logo!”
“Desculpe, Beatriz… elas são muito pesadas.”
"E daí? Quando eu tinha a sua idade, eu fazia o dobro. Pare de ser tão fraco."
“Mas… eu tenho oito anos de idade…”
“Exatamente. Você já cresceu. Se apresse ou vou te dar mais trabalho.”
Com lágrimas nos olhos, Isabela continuou arrastando os sacos. Quando chegou às lixeiras, tentou levantá-las, mas estavam pesadas demais. Uma delas quebrou. O lixo se espalhou pelo chão.
“Não, não, não…”
A menina caiu de joelhos, recolhendo o lixo com as próprias mãos.
Foi aí que Rodrigo não aguentou mais.
Ele saiu do esconderijo e caminhou em direção a ela.
"Isabella."
A menina paralisou. Virou-se lentamente. Seus olhos se arregalaram de medo e surpresa.
“Pai…? É você mesmo?”
“Sim, meu amor. Sou eu.”
Isabela olhou para o terraço, depois para o pai, depois para as roupas rasgadas…

“Papai, por favor… deixa eu me trocar primeiro. Não quero que você me veja assim. E… não diga nada para a Beatriz. Ela diz que se eu reclamar, sou uma mimada.”
Rodrigo ajoelhou-se diante dela, sem se importar que seu terno caro estivesse ficando sujo.
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