No caminho para o topo da montanha, meu filho e minha nora de repente nos empurraram, a mim e ao meu marido, de um penhasco…

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A caminho do topo da montanha, meu filho e minha nora de repente nos empurraram, a mim e ao meu marido, para um precipício. Deitada ali, ouvi meu marido sussurrar: "Não se mexa... finja que está morta". Mas, quando eles foram embora, ele revelou uma verdade ainda mais aterradora do que a própria queda.

Os pneus rangiam na brita solta enquanto nosso SUV subia a estrada estreita que levava às Montanhas Blue Ridge. Meu marido, Robert, dirigia, cantarolando baixinho, enquanto eu, Margaret, tentava manter a calma. No banco de trás, nosso filho Daniel e sua esposa Emily se entreolhavam em silêncio. Algo naquele silêncio me incomodava, mas atribuí isso ao nervosismo da estrada: Emily sempre teve medo de curvas.

Íamos passar o fim de semana numa cabana que tínhamos alugado. Robert insistiu que seria uma boa oportunidade para "nos reconectarmos como família". Mas o ar no carro estava tenso, quase sufocante, como se houvesse algo não dito pairando entre nós.

Na metade do caminho, a paisagem se abriu, revelando um penhasco de tirar o fôlego. Robert diminuiu a velocidade para me mostrar. "Olha, Maggie. Não é lindo?" Inclinei-me em direção à janela, um sorriso se formando no meu rosto, até que o mundo pareceu girar.

Um empurrão violento por trás me jogou para a frente. Antes que eu pudesse gritar, senti as mãos do meu filho pressionando meus ombros com força. A voz de Emily cortou o ar: "Agora!" E então estávamos no ar.

A queda não foi longa, mas foi brutal. Pedras rasgaram meus braços, galhos despedaçaram minhas roupas e, quando finalmente atingimos o chão, o impacto me deixou sem ar. Uma dor aguda atravessou minhas costelas e sangue quente manchou meu rosto. Por um instante, o mundo escureceu.

Quando recobrei a consciência, Robert estava ao meu lado, gemendo. Tentei me mexer, mas sua mão segurou a minha com força. Seus lábios rachados e trêmulos roçaram minha orelha.

"Não se mexa", ele sussurrou. "Não deixe que eles saibam que estamos vivos. Finja que estamos mortos."

Lá em cima, ouvi a voz de Daniel, fria e irreconhecível:

—Eles estão mortos?

A resposta de Emily foi incisiva e calculista:

—Eles não estão se mexendo. É isso. Vamos embora antes que alguém chegue.

Os passos se afastaram. A porta do carro fechou, o motor roncou e então… silêncio. Apenas o farfalhar das folhas e as batidas do meu coração preenchiam o ar.

As lágrimas embaçaram minha visão. Meu próprio filho. A criança que criei, amei e defendi. Por quê?

Quando me virei para Robert, em busca de respostas, sua expressão não era apenas de dor: era a de alguém consumido por uma profunda culpa. Ele olhou para mim com olhos fundos e disse algo que me gelou o sangue mais do que a brisa da montanha.

—Eles não fizeram isso sozinhos. Eu sabia que esse dia poderia chegar… por causa do que fiz anos atrás.

Encarei-o, atônita, com a respiração presa na garganta. "O que você quer dizer... o que você fez?", sussurrei, agarrando-me ao seu braço para mantê-lo perto.

Robert fechou os olhos e por um longo segundo pensei que ele fosse desmaiar. Então, com um tremor, ele falou.

—Quando Daniel ainda era menino, tomei uma decisão. Uma decisão egoísta. Pensei que estava fazendo isso pela família, mas... fiz por mim mesma.

Pisquei para tentar conter a tontura que me dominava. "Robert, agora não é hora para isso."

"Sim, é isso mesmo", interrompeu ele, com a voz rouca, mas urgente. "Você precisa entender por que ele me odeia. Por que ele fez isso."

O vento uivava ao nosso redor, arrastando suas palavras como confissões entre as árvores.

Ele me contou que, há 25 anos, quando administrava sua pequena construtora, se meteu em problemas financeiros. Pegou dinheiro emprestado a um agiota em Atlanta — uma dívida que não conseguiu pagar. Os juros dispararam. Quando as ameaças começaram, ele entrou em pânico. Em vez de proteger sua família, ofereceu o impensável: seu silêncio e sua cooperação na lavagem de dinheiro por meio da empresa.

“Não foi só uma vez”, murmurou Robert. “Durou anos. Dinheiro entrando e saindo. A empresa sobreviveu, mas tudo estava contaminado. O FBI chegou a suspeitar de algo, mas eu fiz um acordo. Entreguei alguns associados — homens que confiavam em mim. E um deles… era o pai da Emily.”

O nome me atingiu como uma marreta. —O pai da Emily?

“Sim. Eu testemunhei contra ele. Ele foi preso. Morreu na cadeia. Emily nunca me perdoou. E Daniel…” A voz de Robert falha. “Daniel me culpa pela vida que ele nunca teve. Pela casa que perdemos, pela vergonha na escola, pelas noites em que ele te viu chorar quando eu desaparecia para ‘reuniões de trabalho’. Ele cresceu me odiando, Maggie. E quando ele conheceu Emily e ela lhe contou sobre o pai dele… eles criaram um laço mais forte do que qualquer coisa que pudéssemos romper.”

A revelação foi mais dolorosa do que minhas feridas. Meu filho não apenas nos traiu: ele se aliou à esposa para vingar a família dela da maneira mais devastadora: tentando destruir a própria família.

"Eles não queriam apenas que desaparecêssemos", sussurrou Robert. "Eles queriam um desfecho. Justiça, segundo eles."

Apertei o peito, tentando acalmar meu coração acelerado. A raiva lutava contra a tristeza. Lembrei-me do primeiro jogo de beisebol de Daniel, de como ele corria para os meus braços depois da escola, dos anos em que eu acreditava que nossa família poderia suportar qualquer coisa.

E agora, estendida no chão, destroçada, compreendi que tudo vinha desmoronando há décadas, por causa de segredos que eu desconhecia.

"O que fazemos agora?", perguntei, tremendo.

Robert apertou a minha mão com força. "Sobrevivemos. Saímos deste buraco, encontramos ajuda. Mas, Maggie..." Ele me olhou fixamente. "Ainda não vamos à polícia. Porque se Daniel descobrir que estamos vivos, ele não vai parar. Não até estarmos realmente mortos."

O sol da tarde estava se pondo e as sombras se estendiam pela depressão. Meu corpo gritava de dor, mas as palavras de Robert acenderam em mim uma chama mais forte que o medo.

"Não podemos ficar aqui", eu disse com firmeza. "Vamos morrer sangrando."

Ele assentiu com a cabeça, o maxilar cerrado. "Me ajude a levantar."

Com os membros trêmulos, conseguimos nos levantar. A encosta que tínhamos que escalar parecia impossível: solo solto, pedras afiadas e uma subida cruel de cerca de nove metros. Mas a sobrevivência não espera por misericórdia.

Subimos degrau por degrau. Rasguei o tecido da minha blusa para enrolá-lo na perna de Robert, onde o sangue jorrava. Ele cerrou os dentes, sem reclamar, embora soubesse que a dor devia ser insuportável.

Na metade do caminho, minhas forças vacilaram. Minhas palmas escorregaram e quase caí para trás. Robert me amparou, sua postura instável, mas sua voz firme como aço:

—Margaret, você precisa lutar. Pense em tudo o que eles já tiraram de você. Não deixe que tirem a sua vida também.

O pensamento de Daniel — meu filho que acabara de tentar me matar — queimava em meu peito. A fúria apertou meu aperto. Com um grito gutural, forcei-me a subir, agarrando raízes e arrancando pedras até que, finalmente, rastejamos pela beira da vala.

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