Eu não sabia que você tinha poder.
Eu sorri para ele. "Há muitas coisas que você não sabe sobre mim", disse calmamente.
Os olhos dela se estreitaram. "Então você é... o quê? Uma cantora?"
Inclinei a cabeça. "Agora sou professora de canto", respondi. "Dou aulas e ainda me apresento ocasionalmente. Parei de fazer turnês quando meu pai ficou doente."
Não tinha nenhuma intenção de despertar simpatia.
Era simplesmente a verdade.
E algo mudou novamente, porque de repente minha vida ganhou profundidade, história e dignidade muito além de suas suposições.
Verônica abriu a boca para responder, mas não correu nada bem.
Porque, pela primeira vez, ele não conseguiu me diminuir ou me fazer parecer insignificante.
E todos na sala podiam sentir isso:
Aquele já não era mais um momento alegre de casamento.
Essa foi uma mudança de poder que aconteceu bem diante dos olhos deles.
Verônica fez uma última tentativa de assumir o controle.
Ela riu e acenou com a mão, representando o papel da mente benevolente por trás de uma "surpresa inofensiva".
"Viu?", disse ela em voz alta. "Eu sabia que tinha isso dentro de mim!"
Alguns convidados riram sem jeito, mas a maioria permaneceu em silêncio.
Havia algo de estranho na voz dele.
Ela não estava me elogiando.
Ela estava com dificuldades para reescrever o que acabara de fazer.
Daniel aproximou-se de mim, com um tom de voz firme e sereno.
"Mãe", disse ele. "Não teve graça."
O sorriso dela se desfez. "Ah, não seja tão sensível. Todos gostaram."
Olhei para Daniel e depois voltei a olhar para ela.
Mantive a voz calma, mas certifiquei-me de que ela fosse ouvida por toda a sala.
"Você queria que eu fracassasse", eu disse. "Foi por isso que você parou a música."
Uma onda sutil percorreu a multidão: suspiros abafados, cadeiras se movendo, pessoas percebendo de repente que haviam participado de algo cruel.
O olhar de Verônica endureceu. "Eu só queria ver se você era real."
Assenti lentamente com a cabeça. "Agora você sabe", respondi.
Devolvi o microfone ao DJ, não a ela.
Então, fui até a mesa dos meus pais e vi minha mãe enxugando lágrimas dos olhos, não de tristeza, mas de orgulho.
Ela sabia o preço que eu havia pago para manter aquela parte da minha vida em segredo.
E ela sabia o que significava eu ter decidido usá-lo mesmo assim.
Daniel apertou minha mão.
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