Minha sogra tentou me humilhar no casamento. Ela me entregou o microfone, desligou a música e disse com desdém: "Vamos lá. Cante sem música; vamos ver seu verdadeiro talento." A sala estava em polvorosa, os telefones já não paravam de tocar, esperando que eu vacilasse. Engoli em seco.

Minha sogra fez de tudo para me constranger no casamento, e garantiu que fosse de propósito. Não foi um mal-entendido ou uma piada sem graça. Foi aquele tipo de malícia que se esconde por trás de um sorriso educado e se disfarça de "diversão em família", para que, se você reclamar, eles te façam parecer a pessoa difícil.

O nome dela era Veronica Hale, e desde o momento em que nos conhecemos, ela me tratou como se eu fosse um erro que seu filho acabaria por desfazer. Ela criticava minhas roupas, minha carreira, meu sotaque — qualquer coisa que a lembrasse de que eu não pertencia ao mundo ao qual ela acreditava que seu filho pertencia.

Então, quando a recepção começou e o salão ficou com um ar quente e romântico, permiti-me ter esperança, apenas naquela noite, de que ela se comportaria.

Cometi um erro.

À meia-noite, após os discursos e a primeira dança, Verônica se levantou e brindou com a taça. O DJ abaixou o volume da música. Todos os olhares se voltaram para ela. Os telefones tocaram. Ela segurava o microfone sem fio como se fosse um acessório, com um sorriso tão encantador que poderia enganar qualquer um que não a conhecesse.

"Tenho uma pequena surpresa", disse ele alegremente. "Já que nossa namorada se acha tão talentosa..."

Um murmúrio se espalhou pela sala.

Meu estômago se contraiu.

Ela se aproximou e colocou o microfone em minhas mãos com um cuidado exagerado, como se estivesse me fazendo um favor.

—Continue —ela murmurou para que só eu pudesse ouvi-la—. Cante.

Eu a encarei. "O quê?"

Ele fez um gesto obsceno para o DJ.

A música parou.

O silêncio tomou conta da sala.

Ainda sorrindo, ela elevou a voz para que todos pudessem ouvir. "Cante sem música; vamos ver seu verdadeiro talento."

Uma onda de risos varreu os convidados, ficando cada vez mais alta. As pessoas se inclinavam para a frente. Os celulares já estavam erguidos, prontos para gravar minha hesitação, minha voz arrastada, minha humilhação. Eu quase podia imaginar o vídeo circulando online por anos.

Minhas mãos estavam tremendo.

 

 

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