Milionário chega a casa mais cedo... e quase desmaia com o que vê.

Senhor Carlos, com todo o respeito, aquela menina está a enganá-lo e, pior, está a usar uma criança traumatizada para isso. Naquele dia, Carlos mal se conseguia concentrar no trabalho. As palavras de Dolores ecoavam na sua mente. Se Carmelita estava a mentir sobre a sua vida pessoal, talvez toda a sua ligação a Valentina fosse calculada, e não genuína. Chegou a casa determinado a descobrir a verdade.

Encontrou Carmelita a arrumar a sala enquanto Valentina brincava com bonecas no tapete. "Carmelita, preciso de falar contigo." "Claro, Senhor Carlos. Valentina, vá brincar um pouco para o seu quarto. O papá precisa de falar com a tia Carmelita." A menina obedeceu, mas Carlos percebeu que ela estava incomodada com o tom sério da conversa. "Carmen, preciso que sejas completamente honesta comigo."

"Sou sempre, Senhor Carlos. Então explique-me porque é que a morada que me deu não corresponde ao local onde realmente mora." Carmen empalideceu. "Como assim?" "Mandei verificar. Ninguém com o nome de Carmen Rodríguez vive nesta morada." "Senhor Carlos, eu posso explicar", disse ela, com a voz trémula. "Estou a ouvir. Não menti sobre viver lá. Vivi lá até ao mês passado."

"Tivemos de nos mudar porque não conseguíamos pagar a renda." "E para onde é que vocês se mudaram?" Carmen baixou a cabeça, visivelmente envergonhada. "Para um imóvel ocupado no centro." "Um imóvel ocupado?" "Sim, Sr. Carlos. Um prédio abandonado que algumas famílias sem-abrigo ocuparam. Não é agradável, eu sei, mas era o único sítio que conseguimos encontrar." Carlos manteve-se em silêncio, processando a informação.

"Porque é que não me contou a verdade?" "Porque tinha medo que o senhor me despedisse. As pessoas que vivem em imóveis ocupados são vistas como perigosas, como encrenqueiras. Eu não queria perder este emprego." "E os seus irmãos existem mesmo?" "Claro que existem", disse Carmen, com lágrimas nos olhos. “O Alendro tem 17 anos, o Diego tem 12 e a Sofía tem oito.”

“Estudam numa escola pública sobre ocupação ilegal de imóveis.” “Então porque é que mentiu sobre o endereço?” “Não menti completamente.” Dei-lhe o endereço da casa onde morávamos. Pensei que, se conseguisse um emprego estável, poderia voltar para lá ou alugar um sítio semelhante.

Carlos olhou para a jovem visivelmente assustada e começou a compreender a complexidade da situação. A Carmen não era manipuladora; era uma jovem desesperada que tentava sobreviver e proteger a sua família. “Carmen, compreendes que preciso de confiar na pessoa que trabalha em minha casa, principalmente na que cuida da minha filha?” “Percebo, Sr. Carlos, e compreendo se me quiser despedir. Só lhe peço que me deixe despedir-me da Valentina.”

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"Se a Valentina significa tanto para o senhor como o senhor para ela, então a sua família também é importante." A Carmen começou a chorar. O senhor faria mesmo isso? Vamos no sábado de manhã. No sábado, o Carlos levou a Valentina a conhecer a família da Carmen. O cortiço no centro da Cidade do México era muito diferente do mundo em que vivia.

Mas quando subiu os três lanços de escadas até ao pequeno apartamento improvisado, encontrou algo que não esperava: uma família unida e um lar cheio de amor, mesmo sem luxos. Alejandro, um jovem alto e magro, ajudava Diego com a matemática numa pequena mesa. Sofía, uma menina pequenina de cabelo encaracolado como o de Carmen, desenhava no chão com lápis de cera gastos.

"Olá, este é o meu chefe, o senhor Carlos, e esta é a Valentina, de quem falo sempre", disse Carmen. "Prazer em conhecê-lo, senhor", disse Alejandro, estendendo a mão educadamente. "Sou o Alejandro, irmão da Carmelita." "Prazer em conhecê-lo, Alejandro." Valentina, inicialmente tímida, ficou logo encantada com Sofía. "Gostas de desenhar?", perguntou à menina. "Sim."

"Queres desenhar comigo?" Carlos observou a cena. Era simples, limpa e organizada. Havia poucos móveis, mas tudo estava cuidadosamente arrumado. Na parede, os certificados escolares dos três irmãos estavam pendurados com orgulho. "Alejandro, a tua irmã disse-me que és um bom aluno." "Eu tento ser, senhor."

"Quero conseguir uma bolsa de estudo para o ensino técnico no próximo ano." "Em que área?" "Ciência da Computação. Gosto muito de computadores." O Carlos conversou com cada um dos irmãos e ficou impressionado. Apesar das dificuldades, Carmen tinha criado um ambiente familiar saudável. As crianças eram educadas, estudiosas e respeitadoras. "Carmen, posso falar contigo na cozinha?" Na pequena cozinha, Carlos foi direto ao assunto.

"Porque é que não me contou sobre a sua situação real desde o início?" "Senhor Carlos, vive num mundo muito diferente do nosso. Para si, os problemas resolvem-se com dinheiro. Para nós, os problemas resolvem-se com trabalho e esperança. Eu não..."