Meus pais chegaram e meu rosto estava coberto de hematomas. Meu marido ficou ao meu lado e riu.

Naquele verão, fui à praia sozinha pela primeira vez. Sem horários, sem compromissos, sem aquele diálogo interno constante: "E se ele não gostar?". Aluguei um quartinho com janela para o pôr do sol e, todas as manhãs, caminhava descalça até a água. O mar não fazia perguntas. Simplesmente aceitava. Uma noite, um homem sentou-se ao meu lado. Nada de especial, quieto, com um olhar cansado. Conversamos sobre coisas triviais: o tempo, a estrada, como às vezes é estranho quando uma nova vida começa. Ele não sondou minha alma, não tentou me impressionar. E quando ele se despediu...

Ele simplesmente disse:
“Foi bom ficar em silêncio com você”.
E isso acabou sendo mais importante do que qualquer palavra.
Eu não me apaixonei. Não esperava que nada acontecesse. Mas fiquei surpresa ao perceber que não sentia nenhuma ansiedade por dentro. Nenhuma tensão. Nenhuma antecipação familiar de um golpe, seja em palavras ou gestos. Sorri e continuei caminhando pela margem, me sentindo mais leve.
Quando cheguei em casa, plantei uma árvore no jardim. Uma pequena macieira. É estranho, mas eu queria algo vivo, algo que crescesse lenta e honestamente. Reguei-a e pensei: é assim que estou crescendo agora. Sem puxar. Sem testar. Simplesmente porque tenho esse direito.
Às vezes, o passado me lembrava de si mesmo. Sonhos. Fragmentos de frases. Entonações agudas na voz de outras pessoas. Mas agora eu tinha uma escolha: ficar nisso ou voltar à realidade. Aprendi a voltar.
Um dia, minha mãe me disse ao telefone:
“Você mudou. Você se tornou… quieta”.
Eu sorri. “Não é silêncio”, respondi. “É resiliência.
Não espero mais que alguém venha me salvar.
E não tenho medo de que alguém vá embora.
A luz ainda está acesa na minha casa. Às vezes estou sozinha. Às vezes com pessoas. Às vezes comigo mesma, e isso não me assusta mais.
E se houver amor no futuro, ele virá silenciosamente.
Sem dor.
Sem precisar quebrar.
E se não vier, a vida ainda será plena.
Porque não vivo mais para o depois.
Vivo o agora.”

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