Ela tinha razão. Isso bastou.
Um dia, recebi uma carta. Uma carta de verdade, em papel. Reconheci a caligrafia instantaneamente: Tatiana Petrovna.
Sua letra era irregular, como se estivesse com pressa ou com as mãos trêmulas.
"Tenho pensado muito. Não estou pedindo perdão, não o mereço. Só quero que você saiba: percebi que não estava protegendo meu filho, mas sim meu próprio medo de ficar sozinha. E ele se mostrou mais forte do que eu." Reli a carta várias vezes. Depois, dobrei-a cuidadosamente e a guardei em uma gaveta. Não como um troféu ou uma ferida, mas como um capítulo encerrado.
Na primavera, mudei de emprego. Pela primeira vez, não por obrigação, mas porque quis. A equipe era nova, as pessoas diferentes, e ninguém conhecia minha história. E foi estranhamente agradável: não ser "a escolhida", mas simplesmente Yanna.
Às vezes, os homens demonstravam interesse. Alguns me escreviam, outros me convidavam para um café. Eu não me sentia mais intimidada, mas também passei a levar as coisas com calma. Aprendi a me ouvir. Se eu sentia tensão por dentro, eu ia embora. Sem explicações. Sem me sentir culpada.
Uma vez, vi uma mulher com um olho roxo na rua. Ela olhou para mim e imediatamente desviou o olhar, como se estivesse envergonhada. Aproximei-me dela e disse baixinho: "Não é sua culpa".
Ela me olhou incrédula. E então assentiu. Isso bastou. Às vezes, à noite, sento-me à janela e me lembro daquele dia: a chuva, a cerca, o olhar da minha mãe. E a cada vez eu entendo: se eu tivesse mentido de novo, minha vida teria acabado ali mesmo. Não fisicamente, mas pior.
Não sou mais forte "por despeito".
Sou calma, por mim mesma.
E nessa calma, não há solidão.
Há escolhas.
Há limites.
Há uma vida em que ninguém entra com socos e risadas.
E se essa história ensina alguma coisa, é apenas uma:
às vezes, a coisa mais corajosa que você pode fazer é falar a verdade em voz alta e defendê-la.
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