Meus pais apareceram de repente, e meu rosto estava coberto de hematomas. Meu marido estava ao meu lado, engasgando de tanto rir:
"Ela fez isso sozinha! Ela caiu!"
Minha sogra sorriu ironicamente naquele momento.
A chuva batia monotonamente no telhado quando ouvi a porta ranger. Tudo dentro de mim desabou. Eu tinha acabado de esfregar o chão do corredor, como se esperasse lavar o pesadelo de ontem com a água suja: os cacos de um vaso quebrado, o abajur rachado, os gritos humilhantes que ainda ecoavam na minha cabeça. E então... passos.
Mamãe e papai.
Sem bater, sem avisar. Eles simplesmente apareceram. Talvez tivessem pressentido; pais são bons nisso. Ou talvez alguém não tenha resistido a dar uma indireta: "Vá ver como sua filha está... tem algo assustador no rosto dela."
Eu não tive tempo para pensar em mais nada. Não tive tempo de cobrir as marcas, esconder minha pele ou fingir que estava tudo bem. A porta se abriu de repente, e mamãe congelou. Seus olhos refletiam puro e absoluto horror.
"Yannochka..." ela sussurrou, como se tivesse sido atingida.
Eu estava ali parada, de roupão velho e meias de lã, com uma mancha roxa sob o olho e um hematoma na bochecha. Um deles era recente e latejante. O outro já estava desaparecendo, de quando tentei me esquivar ontem e bati na quina da mesa.
"Eu... eu escorreguei", consegui dizer sem levantar o olhar. "Foi bobagem."
Nesse instante, Dima saiu da cozinha.
Ela carregava uma xícara de café e tinha um sorriso travesso no rosto. Nem sequer tentava esconder a diversão. Estava rindo. Rindo alto, com uma espécie de prazer perverso.
"Sim, eu escorreguei!" ela riu baixinho. "Bem no punho! E depois de novo... na parede! Acontece!"
Mamãe ficou ainda mais pálida. Papai deu um passo à frente, mas eu balancei a cabeça levemente. Eu ainda me agarrava à esperança de que o escândalo pudesse ser abafado. Que tudo pudesse ser consertado. Que ele voltaria a si. Que a mãe dele pararia de jogar lenha na fogueira.
Mas minha esperança se desfez quando ela apareceu atrás do meu marido.
Minha sogra.
Tatiana Petrovna: impecável, bem-arrumada, o cabelo perfeitamente penteado. Usava um vestido caro e pérolas, as mesmas que eu lhe dera no aniversário de casamento. E nos lábios, um sorriso zombeteiro e satisfeito.
"Bem, lá vamos nós de novo, tragédia", disse ela com uma voz doce e arrastada. "Eu te disse: você deveria ter cuidado. E não sair por aí como uma louca. E bem... um homem não perderia a cabeça se a esposa se comportasse." Mamãe a encarou com um olhar severo:
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