O que cabe em uma mochila
Meu nome é Grace Walker, e aprendi cedo que o mundo não para para a dor de ninguém. Quando eu tinha dez anos, meus pais morreram em um acidente de carro em uma estrada rural escura em Iowa. De uma noite para o outro, eu tinha uma família, uma casinha e duas pessoas que me amavam. Na manhã seguinte, uma assistente social com olhos cansados e uma pasta cheia de formulários me disse para arrumar o que eu conseguisse carregar.
"O que você leva", lembro-me de ter pensado, "quando toda a sua vida tem que caber em uma mochila escolar?"
Escolhi o lenço da minha mãe, ainda levemente perfumado com seu perfume floral, e o velho relógio de pulso do meu pai, com o mostrador riscado. Todo o resto ficou para trás — livros, roupas, brinquedos, a cama onde eu costumava adormecer ouvindo-os conversar no quarto ao lado.
Os anos que se seguiram se misturaram numa série de lares coletivos e famílias de acolhimento temporárias. Algumas casas eram frias, outras barulhentas, algumas eram silenciosamente cruéis, a maioria simplesmente não demonstrava interesse. Aprendi a ser pequena, a ocupar o mínimo de espaço possível. Comia rápido para que ninguém pudesse decidir que eu já tinha comido o suficiente. Outras crianças conseguiam pressentir a fraqueza como os animais pressentem o medo. Chamavam-me de "a vira-lata" ou "a menina abandonada".
Mas naqueles anos descobri algo que nenhuma herança poderia comprar: como sobreviver. Aprendi que as lágrimas não mudavam nada, que reclamar só tornava certas pessoas mais cruéis e que a única pessoa verdadeiramente responsável por mim... era eu mesma. Todas as noites eu tocava o lenço da minha mãe e sussurrava a mesma promessa: “Vou sair daqui. Vou construir uma vida. Não vou desistir.”
Aprendendo a me sustentar sozinha
Aos vinte e oito anos, eu havia cumprido essa promessa à minha maneira, discretamente. Eu não tinha roupas extravagantes nem uma casa grande, mas tinha algo melhor: um propósito.
Eu trabalhava como técnica de atendimento ao paciente em um hospital em Chicago. Nos meus dias de folga, eu fazia trabalho voluntário em outro andar, lendo histórias para crianças cujas famílias raramente as visitavam e segurando as mãos de pacientes idosos que não queriam partir deste mundo sozinhos.
Aluguei um minúsculo apartamento estúdio na periferia da cidade, mal cabia uma cama, uma mesinha e um sofá usado. Mantinha-o impecável. Aos domingos à noite, passava a ferro meu único vestido bom. Às segundas, cozinhava em grandes quantidades para economizar cada centavo. Nunca pedi ajuda. Talvez fosse orgulho. Talvez fosse o instinto que se desenvolve quando se passa a infância sendo alvo de pena — aprende-se a ficar de pé mesmo quando as pernas não param de tremer.
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