Llegué a casa de mis suegros sin avisar en Nochebuena. Encontré a mi hijo fregando pisos en ropa interior mientras sus nietos abrían los regalos junto al árbol. Mi esposa se reía con ellos. Entré, levanté a mi hijo y le dije cinco palabras. La copa de champán de mi suegra se rompió. Tres días después: 47 llamadas perdidas.

"Bom".

Frank já realizava entrevistas há quinze anos. Ele reconhecia uma resposta evasiva assim que a ouvia.

"O que você fez na aula? Você tinha aquele projeto do boneco de neve, certo?"

Todd cerrou os dentes, um gesto tão semelhante ao de Frank que era como se estivesse olhando para um espelho. "A Sra. Patterson disse que estava bom."

“Posso ver?”

"Deixei lá." Todd olhou pela janela, com os olhos fixos na tela da sala de aula, como se pudesse simplesmente seguir em frente.

Frank sabia que seu filho estava mentindo. Ele também sabia que insistir agora, dentro do carro, não adiantaria nada.

“Quer parar para tomar um chocolate quente?”

Pela primeira vez, o rosto de Todd se iluminou. "Sério?"

"Oh sério?"

“Só nós?”

“Podemos ir ao Bernie’s.”

Vinte minutos depois, eles estavam sentados em uma mesa de canto no Bernie's, um daqueles restaurantes que ainda tinham cadeiras de vinil e serviam café da manhã o dia todo. Todd girava a caneca com as duas mãos enquanto os marshmallows derretiam em espirais brancas.

“Papai”, disse Todd baixinho. “Vamos passar o Natal na casa da vovó Christa?”

“Esse é o plano.” Frank observou os dedos do filho apertarem a xícara.

Todd deu de ombros, mas seus nós dos dedos ainda estavam brancos. "Eu só estava curioso."

Frank inclinou-se para a frente. "Você pode falar comigo sobre qualquer coisa, Todd. Você sabe disso, não é?"

“Eu sei, mas…” O olhar de Todd permaneceu fixo em seu chocolate quente.

O telefone de Frank vibrou novamente. Ashley: Você pode trazer o champanhe bom quando vier jantar amanhã? Mamãe está fazendo o cordeiro especial dela.

Ele respondeu: "Claro".
O que ele não anotou foi o pensamento que lhe queimava a mente: Quando foi que os jantares da sua mãe se tornaram mais importantes do que os do seu filho?

A casa dos Raymond ficava em Kenilworth, um dos subúrbios mais ricos de Chicago, uma casa colonial georgiana que Christa sempre descrevia como histórica. Frank chegou de carro na entrada circular às 18h30 da noite seguinte, com Todd sentado em silêncio no banco de trás.

“Lembre-se”, disse Frank, virando-se para olhar para o filho, “você não precisa fingir que está feliz se não estiver. Apenas seja você mesmo.”

Todd assentiu com a cabeça, mas não o olhou nos olhos.

A porta da frente se abriu antes que eles chegassem. Bobby Raymond Mills estava lá, a irmã mais velha de Ashley, vestindo um suéter de cashmere que provavelmente custava mais do que o orçamento mensal do podcast de Frank.

“Aqui estão eles. Entrem, entrem. Vocês estão atrasados.”

“Na verdade, chegamos cinco minutos mais cedo”, disse Frank calmamente.

O sorriso de Bobby não se desfez. "Bem, todos os outros estão aqui há trinta minutos."

Ela se virou para Todd. "Seus primos estão na sala de jogos. Vá embora."

Frank observou Todd caminhar pesadamente em direção aos fundos da casa, sua pequena figura desaparecendo na esquina. Os filhos de Bobby — Madison, de nove anos, e Harper, de seis — já haviam recebido mais presentes de Natal na semana passada do que Todd receberia em todo o ano, a julgar pelas sacolas de compras que Frank vira Ashley escondendo.

Christa Raymond entrou no saguão com uma taça de champanhe na mão, os diamantes em seu pescoço refletindo a luz do lustre. Aos 62 anos, ela mantinha a aparência com a dedicação de um general planejando uma campanha.

“Você trouxe o Veuve Clicquot”, disse ela com uma voz alegre e delicada. “Que gentileza. Embora eu deva dizer, Moët é realmente superior ao cordeiro. Vou me lembrar disso.”

Frank ofereceu-lhe a garrafa mesmo assim.

Harvey Raymond apareceu atrás da esposa, alto e de cabelos grisalhos, com a postura de alguém acostumado à deferência. Ele havia acumulado sua fortuna no ramo imobiliário comercial e nunca deixava ninguém se esquecer disso.

“Frank. Que bom te ver. Ashley está na cozinha com a irmã dela.”

O jantar transcorreu como de costume. Christa presidia a mesa, conduzindo a conversa como uma maestrina. Harvey falou sobre negócios. Bobby comentou sobre a aprovação de Madison em um programa de verão exclusivo. Renee Mills, esposa de Bobby, fez piadas inofensivas e riu das histórias de Harvey.

Ashley sentou-se em frente a Frank, e ele observava a esposa à luz de velas. Eles se conheceram nove anos antes, quando ele estava cobrindo uma reportagem sobre revitalização urbana e ela era voluntária em um centro comunitário. Naquela época, ela era apaixonada, com os olhos brilhando, falando sobre fazer a diferença. Agora, usava pérolas iguais às da mãe e ria de piadas que não a faziam rir.

“Todd parece calmo esta noite”, observou Christa, num tom que sugeria que a culpa era de Frank. “Ele está se sentindo bem?”

"Tudo bem", disse Frank. "Estou cansado da escola."

“A Madison nunca se cansa da escola”, acrescentou Bobby. “Claro, ela está no programa avançado. Isso a mantém ocupada.”

Frank sentiu a mão de Ashley em seu joelho por baixo da mesa. Um aviso.

Ele respirou fundo.

“Na verdade”, continuou Christa, “eu estava planejando conversar com você sobre a educação do Todd. O Bobby encontrou uma tutora maravilhosa. Muito requisitada. Ela trabalha com crianças superdotadas, mas acho que o Todd se beneficiaria de um pouco mais de atenção para conseguir acompanhar o ritmo da turma.”

"Colocar em dia o quê?", perguntou Frank.