Essas palavras marcaram o início de algo novo.

Derek havia pausado o jogo. Ele apontava para uma mancha perto do rodapé: uma pequena marca de sapato.

"Eu disse para limpar, Sarah", zombou ele, olhando para ela com uma mistura de tédio e crueldade. "Não espalhe sujeira por aí. Quer jantar? Conquiste. Se você passar fome, não vai comer."

Sarah ficou ali parada, com uma bebida gelada na mão, sem uma lágrima sequer no rosto. Olhou para o chão e depois para a escova de lavar louça sobre a mesa de centro. Começou a se abaixar; a barriga de grávida tornava o movimento desajeitado e doloroso.

Naquele instante, o mundo parou para Frank Vance.

O avô aposentado desapareceu. O homem que amava jardinagem e palavras cruzadas deixou de existir. Em seu lugar, estava o Sargento-Mor Vance, um homem que havia treinado três gerações de fuzileiros navais de reconhecimento para matar sem hesitar.

Eu não corri. Correr é para quem entra em pânico. Eu me movi com uma inevitabilidade aterradora.

Passei por Sarah. Não olhei para ela. Meus olhos estavam fixos na lente.

Cheguei à central de entretenimento. Com um movimento rápido, peguei o cabo de alimentação do PlayStation.

Claro!

Retirei o aparelho da tomada. A carcaça de plástico rachou. A tela da TV ficou preta. Os disparos cessaram.

O silêncio tomou conta da sala.

Derek piscou, confuso. Então, a raiva tomou conta de seu rosto. Ele se levantou de um salto, atirando os fones de ouvido no sofá.

"Seu velho maluco!" gritou ele, com o rosto vermelho. "Você sabe quanto isso custa? Era um jogo justo!"

Ele deu um passo em minha direção, com os punhos cerrados, assumindo uma pose. Era mais alto, mais pesado e mais jovem do que eu. Achava que isso importava.

Ele desferiu um soco desleixado e sem força, mirando na minha cabeça. Foi lento. Foi patético.

Nem sequer pisquei.

Passei por sua guarda. Minha mão esquerda desviou seu braço. Minha mão direita disparou, agarrando sua garganta com a força de uma pinça hidráulica.

Eu não apertei para matar. Eu apertei para controlar.

Eu o empurrei para trás. Seus calcanhares prenderam no tapete. Eu o joguei contra a parede de gesso.

BOOM!

A casa tremeu. Os quadros nas paredes vibraram.

Os olhos de Derek se arregalaram. Seus dedos dos pés buscavam apoio, pairando a poucos centímetros do chão. Ele arranhou minha mão, mas era como tentar abrir um alçapão de aço. Ele arquejou, um som úmido e abafado.

Inclinei-me para a frente. Meu rosto estava a centímetros do dele. Deixei que ele visse os olhos de um homem que havia enfrentado coisas muito mais aterrorizantes do que um valentão de bairro.

"Escute com atenção, verme", rosnei, minha voz um murmúrio abafado que vibrou em seu peito. "O campo de treinamento começa agora."

Derek deu um suspiro de alívio ao liberar pressão suficiente para respirar, mas não o bastante para falar.

"Você gosta de brincar de guerra, garoto?", sussurrei. "Gosta de dar ordens? Ótimo. Porque pelas próximas vinte e quatro horas, você vai aprender o que um soldado de verdade faz."

 

 

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