Essas palavras marcaram o início de algo novo.

Escute com atenção, minhoca. O acampamento começa agora!

Essas foram as palavras que finalmente quebrariam o encanto, mas às 16h de uma terça-feira, a casa enganava com seu silêncio.

Eu estava parada no corredor da casa colonial da minha filha, no subúrbio, segurando uma sacola de presente amarelo-pastel que parecia absurdamente leve na minha mão calejada. Dentro havia um ursinho de pelúcia, daqueles com pelo hipoalergênico e olhos de botão costurados com linha extra-resistente; segurança em primeiro lugar.

Meu nome é Frank. A maioria das pessoas me vê como um homem aposentado, com cabelos grisalhos ralos e um cardigã com cheiro de tabaco de cachimbo.

Eles não veem as tatuagens sob minhas mangas: a águia, o globo e a âncora, desbotados por quarenta anos de sol e tempo. Eles não veem as cicatrizes de estilhaços na minha coxa.

Passei a vida ensinando jovens a sobreviver ao inferno. Agora, eu só queria ser avô. Queria ser "Papai", não "Sargento-Mor". Então, tranquei as histórias de guerra que guardava num baú da minha mente.

"Oi, querida", sussurrei, inclinando-me para beijar Sarah na bochecha.

Sua pele estava úmida e fria, apesar do calor sufocante da casa. Seus olhos, normalmente brilhantes com o brilho que ela se lembrava da infância, estavam opacos e penetrantes.

Ele continuava olhando para a sala, onde o som rítmico de tiros simulados ecoava em um sistema de som surround.

"Você perguntou a ela sobre o berço?", perguntei baixinho, tentando manter a voz abaixo do volume das explosões na televisão. "Posso montá-lo hoje."

Sarah apertou minha mão. Não era um cumprimento, era um apelo. Seu aperto era desesperado, seus nós dos dedos estavam brancos.

"Ele está ocupado, pai", murmurou ela, com a voz tensa. "Ele está... em um torneio. É importante. Ranking online."

Do sofá, uma voz alta, anasalada e indignada ressoou.

"Ei, pai! Calma! Estou num jogo de 1 contra 4. Preciso me concentrar!"

Derek.

Ele estava esparramado no apartamento modular como um conquistador, cercado por uma fortaleza de latas vazias de Monster Energy e pacotes amassados ​​de Doritos. Tinha trinta anos, mas vivia como um adolescente com cartão de crédito.

Ele usava fones de ouvido em uma orelha, os olhos fixos na tela, os polegares deslizando no controle com uma destreza que nunca havia aplicado a mais nada.

"E Sarah!" gritou Derek sem se virar. "Me traz um Mountain Dew. O vermelho. Agora!"

Observei minha filha. Ela estava grávida de oito meses; sua barriga era um fardo pesado e belo. Seus tornozelos estavam inchados acima dos chinelos.

 

 

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