
Peguei alguns potes de comida para bebê, um pequeno pacote de fraldas (o único que eu podia comprar) e um pedaço de peito de peru. Eu queria que o Dia de Ação de Graças fosse especial, mesmo que fosse só eu e a Lily na nossa pequena mesa da cozinha.
Na hora de pagar, tentei sorrir para o caixa. Ele parecia exausto, como se preferisse estar em qualquer outro lugar. Coloquei os itens na esteira e passei o cartão.
Bip. Rejeitado.
Senti um enjoo terrível. Isso nunca tinha me acontecido antes.
Talvez o depósito da previdência não tenha sido debitado. Talvez eu tenha calculado mal depois de pagar a conta de luz na semana passada.
Tentei novamente, com a mão trêmula.
Bip. Mesmo resultado.
"Ei, você poderia tentar mais uma vez?", perguntei.
Atrás de mim, um homem gemeu alto. "Meu Deus! O que é isso, uma fila de caridade?"
Murmurei um pedido de desculpas enquanto manuseava o cartão desajeitadamente. Lily começou a choramingar, e seus choramingos logo se transformaram em soluços.
Eu a balancei suavemente e sussurrei: "Shh, está tudo bem, querida. Nós vamos resolver isso. A vovó vai resolver isso."
De algum lugar atrás de mim, ouvi a voz de uma mulher: "Talvez se você passasse menos tempo tendo filhos que não pode sustentar, não estaria na fila."
A amiga dela riu. "É sério? Ou pelo menos compre o que você realmente pode pagar. Essas pessoas me dão nojo."
Senti minhas bochechas arderem de humilhação. Queria que a terra me engolisse por inteiro. Com as mãos trêmulas, revirei minha bolsa e tirei todas as notas e moedas amassadas que tinha: 8 dólares.
"Poderia me cobrar pela comida de bebê?", perguntei baixinho. "Só pela comida de bebê, por favor."