
Então, agora, esta é a minha vida: embalando um bebê às três da manhã e contando moedas na mesa da cozinha ao meio-dia. Eu costumava imaginar a aposentadoria como encontros tranquilos em clubes de leitura, festas no jardim com amigos, talvez até um cruzeiro com as outras viúvas da igreja.
Em vez disso, memorizei o preço das fraldas em todas as lojas num raio de dez quilômetros e comparo as marcas de fórmula infantil em detalhes.
Vivo da pensão do meu falecido marido e do restante das nossas economias, que diminuem um pouco mais a cada mês.
Algumas noites, eu esquento sopa enlatada para o jantar e me lembro de que Lily não faz ideia se a fórmula infantil que ela toma é de marca ou genérica. Ela está saudável, e isso é o que importa.
Há algumas semanas, o peso de tudo aquilo parecia quase insuportável. Minhas costas doíam de tanto carregar a Lily pela manhã. A pia da cozinha começou a vazar de novo, e contratar um encanador estava fora de cogitação, devido ao meu orçamento. A máquina de lavar fazia aquele barulho horrível: o estertor de um eletrodoméstico que eu não tinha condições de substituir.
Tínhamos ficado sem fraldas e comida para bebê, então coloquei Lily no canguru, vesti meu casaco velho e fui ao supermercado.
Assim que saímos, o frio de novembro nos atingiu imediatamente. Ajeitei meu casaco e sussurrei: "Vamos ser rápidos, querido. A vovó promete."
Lá dentro, reinava o caos. Música natalina tocava alto. Havia gente por toda parte: discutindo pelos últimos perus em promoção, bloqueando os corredores com carrinhos de compras abarrotados. Apressei-me em direção ao corredor de comida para bebês, tentando não me sentir sobrecarregada.
Parecia que o mundo inteiro se preparava para a alegria enquanto eu só tentava sobreviver à semana. Cada melodia alegre só fazia meu estômago se contrair.