Tenho 72 anos e nunca imaginei que criaria um bebê novamente nesta idade.
Há seis meses, enquanto eu preparava o café da manhã na cozinha, ouvi passos descendo as escadas. Minha filha Sarah apareceu na porta com sua filha de duas semanas nos braços. Presumi que ela a estivesse levando para tomar um ar.
Em vez disso, ela colocou cuidadosamente a pequena Lily no berço na sala de estar e a enrolou na manta.
"Vou espairecer, mãe", murmurou ele, beijando a testa de Lily.
"Está bem, querida", respondi enquanto mexia a aveia no fogão. "Não fique muito tempo lá fora. Está frio."
Mas ele nunca voltou.
Só vi o bilhete dobrado ao lado da cafeteira na manhã seguinte, depois de mais uma noite em claro. Dentro havia uma pequena frase escrita à mão por ela: "Mãe, eu não consigo fazer isso. Não tente me procurar."
Naquele dia, liguei para ela 20 vezes. Depois, 50. No final, perdi a conta.
Todas as ligações iam direto para a caixa postal. Quando registrei um boletim de ocorrência de pessoa desaparecida, a polícia me disse que ela era adulta e havia saído de casa por vontade própria. A menos que houvesse provas de algum delito, nada mais poderia ser feito.
Cada encolher de ombros educado era como uma porta batendo na minha cara.
Então entrei em contato com o pai do bebê, um homem com quem Sarah havia namorado apenas brevemente. Depois de ignorar minhas ligações por dias, ele finalmente atendeu, com a voz fria e distante.
"Olha, eu disse para a Sarah desde o começo que ela não estava preparada para isso", disse ele sem rodeios.
"Mas você tem uma filha", implorei. "Ela precisa de você."
"Você é a avó", ela respondeu. "Cuide disso."
Então ele desligou. Quando tentei ligar de volta, descobri que ele havia bloqueado meu número.