Mark franziu a testa, a irritação transparecendo enquanto a confusão tomava conta dele. "O que é isso?"
Sem responder, Emily tocou na tela. O que se seguiu cortou a sala com mais intensidade do que qualquer voz alterada. Era Mark — sua voz, inconfundível — gravada apenas duas noites antes.
"Ela precisa aprender a respeitar", dizia a gravação. "Se minhas irmãs a assustarem um pouco, talvez ela finalmente se comporte."
Uma onda de exclamações de surpresa se espalhou pela mesa. Alguém sussurrou: "Meu Deus". O sorriso de Lauren desapareceu. Denise empalideceu.
Emily não parou. Passou o dedo na tela novamente e virou o celular para que todos pudessem ver: fotos dos hematomas no meu braço do ano passado, capturas de tela de mensagens em que Mark ameaçava bloquear nossa conta conjunta se eu não me comportasse, tudo cuidadosamente datado e organizado. Ela vinha guardando tudo isso há meses, desde que percebeu o quanto eu estava retraída, o quanto eu me assustava facilmente quando as vozes se elevavam.
“Pedi a ela que me enviasse isso”, disse Emily à mesa, com um tom firme e controlado. “Caso ela ficasse com muito medo de falar por si mesma.”
Mark levantou-se num pulo, a cadeira arrastando ruidosamente no chão. "Isto é privado", disparou ele. "Você não tem o direito—"
"Com certeza", interrompeu Emily. "E ela também."
Pela primeira vez naquela noite, Mark pareceu abalado. Ele examinou a sala, buscando apoio, mas não encontrou nenhum. Seus colegas de trabalho evitaram seu olhar. Um amigo empurrou silenciosamente a cadeira para trás. Até mesmo sua mãe o encarou com algo parecido com vergonha.
Emily se virou para mim. "Você não precisa mais enfrentar isso sozinha", disse ela gentilmente.
Algo dentro de mim finalmente cedeu — não em colapso, mas em alívio. Saí do aperto de Mark. Então dei outro passo. A distância entre nós pareceu como o ar voltando aos meus pulmões.
"Chega", eu disse, suavemente, mas com firmeza. "Estou indo embora."