Cheguei sem avisar na casa dos meus sogros na véspera de Natal. Encontrei meu filho esfregando o chão de cueca enquanto seus netos abriam os presentes perto da árvore. Minha esposa ria com eles. Entrei, peguei meu filho no colo e disse cinco palavras para ele. A taça de champanhe da minha sogra se estilhaçou. Três dias depois: 47 chamadas perdidas.

Todd apareceu no corredor, já vestindo seu casaco. Ele não olhou para Frank.

"Cara", começou Frank, mas Ashley já tinha pegado na mão de Todd e o arrastado em direção à porta. Ela bateu com tanta força que fez as janelas tremerem.

Frank ficou parado no silêncio repentino de sua casa vazia. Seu telefone vibrou: uma mensagem de sua mãe, Margaret O'Connell.

Você ainda vem para a véspera de Natal? Você fez seus biscoitos favoritos?

Ela havia prometido à mãe que passariam em seu apartamento antes de irem à casa dos Raymond na véspera de Natal. Era uma tradição: jantar com Margaret e depois a presença obrigatória no grande espetáculo familiar dos Raymond. Margaret vivia modestamente com sua aposentadoria de trinta anos como secretária de escola pública, mas sua casa transbordava um calor que faltava na mansão de Christa.

Frank respondeu: "Eu não perderia isso por nada. Diga-me que você fez os biscoitos de canela."

Três rodadas e doce de leite. Vejo você às 16h.

No dia seguinte, véspera de Natal, Frank acordou e encontrou sua cama vazia. Havia um bilhete no travesseiro de Ashley: "Passei a noite na casa da mamãe. Te vejo hoje à noite."

Ela verificou o quarto de Todd. Estava vazio também. A mala de viagem do filho havia sumido.

Frank ligou para Ashley. Caiu na caixa postal. Ele ligou novamente. Mesmo resultado.

Na terceira ligação, Christa atendeu o telefone de Ashley.

"Frank", disse ela, como se lhe estivesse fazendo um favor. "Ashley está ajudando com os preparativos. Ela te verá hoje à noite."

"Gostaria de falar com meu filho."

"Todd está ocupado com seus primos. Eles estão decorando biscoitos."

"Passe o telefone para ele."

"Frank, não precisa desse tom. Está perfeitamente bem. Vamos nos encontrar às sete para um drinque. Às oito para o jantar."

A linha foi cortada.

Frank estava parado na cozinha, com a raiva crescendo em seu peito. Mas ele aprendera no jornalismo que a raiva era inútil sem estratégia.

Ele abriu o laptop e o calendário. A festa de véspera de Natal de Raymond começava às 7h. Ele havia prometido à mãe que chegaria às 4h. Isso lhe dava tempo.

Frank passou a hora seguinte fazendo ligações: para seu antigo editor no Tribune, que lhe devia um favor; para um amigo advogado da faculdade; para um investigador particular com quem havia trabalhado em um artigo sobre proprietários corruptos. Cada conversa foi breve e profissional. Às 15h, ele já havia colocado várias coisas em movimento.

Às 4h, ela chegou ao apartamento da mãe em Bridgeport. O prédio era antigo, mas bem conservado, o tipo de lugar onde os vizinhos ainda sabiam o nome uns dos outros.

Margaret O'Connell abriu a porta vestindo um suéter com uma rena estampada. Seus cabelos grisalhos estavam presos para trás e seus olhos brilhavam por trás dos óculos.

"Aí está meu filho." Ela o abraçou forte. Aos 65 anos, ela ainda possuía a força de alguém que criou um filho sozinha depois que o pai dele morreu quando Frank tinha três anos.

"Onde está meu neto?"

"Na casa dos Raymonds", disse Frank. "Ashley o levou ontem."

A expressão de Margaret endureceu. Ela nunca havia criticado Ashley ou sua família diretamente, mas Frank notava a tensão em seus lábios sempre que eles eram mencionados.

"Entre. Coma alguns biscoitos. Conte-me o que há de errado."

Eles se sentaram à pequena mesa da cozinha, a mesma onde Frank costumava fazer a lição de casa quando criança. O apartamento cheirava a canela e pinho, provenientes da modesta árvore na esquina, decorada com enfeites que Frank havia feito na escola primária.

"Acho que meu casamento está chegando ao fim", disse Frank.

Margaret serviu café para os dois. "Por que vocês acham isso?"

Porque minha esposa se tornou alguém que eu não reconheço. Porque ela está mais preocupada em impressionar a mãe dela do que em proteger nosso filho. Porque não me lembro da última vez que ela me olhou com algo além de ressentimento.

"E o Todd", disse Frank, apertando a caneca com força. "Ele é um desastre. A mãe dele, lá no Raymond's, o trata como se ele não fosse nada. Uma decepção. E a Ashley ou não vê ou não se importa."

"Ela se importa", disse Margaret suavemente. "Ela está perdida, mas se importa."

"Como você pode defendê-la?"