“Exatamente. Esses são anos de formação. Não queremos que ele fique para trás.”
Ashley apertou o joelho de Frank com mais força. Quando ele olhou para ela, ela balançou a cabeça levemente.
Depois do jantar, Frank encontrou Todd na sala de brinquedos. Madison e Harper estavam construindo um castelo elaborado com peças de Lego novas e caras. Todd estava sentado num canto com um quebra-cabeça que parecia estar acumulando poeira num armário há anos.
“E aí, parceiro. Pronto para ir para casa?”
"Podemos?" A esperança brilhou nos olhos de Todd.
"Daqui a alguns minutos. Mamãe quer se despedir de todos."
Frank voltou para dentro de casa, passando pela galeria de fotos da família. Dezenas de fotos de Madison e Harper: retratos profissionais, fotos espontâneas, fotos de férias. Todd aparecia em apenas três: sua foto de recém-nascido, uma do seu primeiro Natal e a foto de família obrigatória do ano passado. Nessa última foto, ele estava na borda do enquadramento, ligeiramente fora de foco.
Ela encontrou Ashley na cozinha ajudando a mãe a embrulhar as sobras.
“Deveríamos levar o Todd para casa”, disse Frank. “Tem aula amanhã.”
“Ah, fique para um café”, insistiu Christa. “Mal tivemos tempo de conversar.”
“Já são 8h30.”
"Bom", disse Frank, com a voz arrastada apesar de si mesmo.
“Não entendo por que você está com tanta pressa”, disse Christa. “Somos família.”
No carro, Todd adormeceu antes mesmo de saírem da garagem. Ashley estava olhando pela janela do passageiro.
“Sua mãe sugeriu um professor particular para o Todd”, disse Frank finalmente.
“Eu sei. Ele me contou.”
"Você não acha isso ofensivo?"
“Acho que ele está tentando ajudar.”
“Dando a entender que nosso filho não é bom o suficiente.”
Ashley se virou para ele e, à luz do painel, viu o cansaço em seu rosto. "Por que você sempre tem que transformar tudo em uma discussão? Ela é minha mãe. Ela quer o melhor para os netos dela."
"Todas elas? Ou só as do Bobby?"
"Não é justo".
"Certo?" A voz de Frank permaneceu baixa e controlada. "Você reparou no Todd brincando com um quebra-cabeça que parecia mais velho do que ele, enquanto Madison e Harper estavam construindo com Legos que provavelmente custaram trezentos dólares?"
A boca de Ashley se contraiu. "Talvez se você ganhasse mais dinheiro, nós mesmos poderíamos comprar essas coisas para o Todd, em vez de depender da generosidade da minha família."
As palavras ficaram suspensas no ar entre eles.
As mãos de Frank apertaram o volante com mais força. "Eu ganho o suficiente", disse ele em voz baixa. "Não estamos passando por dificuldades e nunca pedi um centavo à sua família."
"Não", disse Ashley, olhando fixamente para a frente. "Você só está nos julgando por termos isso."
Frank não respondeu. O que ele poderia dizer? Que vira sua esposa se transformar lentamente em alguém que mal reconhecia. Que cada jantar na casa dos Raymond era como ver Ashley escolher sua família em vez do filho. Que ele começava a se perguntar se ela havia se casado com ele num ato de rebeldia do qual agora se arrependia.
Quando chegaram em casa, Frank pegou Todd no colo e o deitou. O quarto do filho era modesto, mas estava cheio de coisas com as quais ele realmente brincava: livros que tinham lido juntos, desenhos colados nas paredes, um globo que giravam para escolher aventuras imaginárias.
"Papai", disse Todd, abrindo os olhos sonolentos.
"Sim, amigo".