Cheguei sem avisar na casa dos meus sogros na véspera de Natal. Encontrei meu filho esfregando o chão de cueca enquanto seus netos abriam os presentes perto da árvore. Minha esposa ria com eles. Entrei, peguei meu filho no colo e disse cinco palavras para ele. A taça de champanhe da minha sogra se estilhaçou.
Três dias depois...
47 chamadas perdidas.
Aos 38 anos, Frank O'Connell havia deixado o jornalismo investigativo do Chicago Tribune para administrar sua própria produtora, a Undercurrent Media. A decisão fora ideia de Ashley três anos antes, quando ela ainda o via como a estrela, e não como um fardo herdado.
O celular dele vibrou. Outra mensagem de Ashley: “Estou atrasada. Mamãe precisa de ajuda com a decoração de Natal. Você pode buscar o Todd na escola?” Frank olhou para o calendário. 20 de dezembro. Seria a quarta vez naquela semana que Christa Raymond precisava de ajuda com alguma coisa.
Ele escreveu: “Entendi. Te vejo à noite.” O sol da tarde projetava longas sombras sobre a rua suburbana de Chicago quando Frank chegou à Escola Primária Meadowbrook. Todd saiu do prédio, pequeno para seus sete anos, com os ombros curvados de um jeito que pesava em seu peito. Outras crianças passaram correndo por ele, gritando e rindo, mas Todd caminhava sozinho.
"Ei, amigo!" Frank estendeu a mão para abrir a porta do passageiro.
Todd entrou, sua mochila quase tão grande quanto ele. "Oi, pai."
"Como foi a escola?"
"Bom".
Frank já realizava entrevistas há quinze anos. Ele reconhecia uma resposta evasiva assim que a ouvia.
"O que você fez na aula? Você tinha aquele projeto do boneco de neve, certo?"
Todd cerrou os dentes, um gesto tão semelhante ao de Frank que era como se estivesse olhando para um espelho. "A Sra. Patterson disse que estava bom."
"Posso ver?"
"Deixei lá." Todd olhou pela janela, com os olhos fixos na tela da sala de aula, como se pudesse mudar de assunto.
Frank sabia que seu filho estava mentindo. Ele também sabia que insistir agora, dentro do carro, não adiantaria nada.
"Gostaria de parar para tomar um chocolate quente?"
Pela primeira vez, o rosto de Todd se iluminou. "Sério?"
"Oh sério?"
"Só nós dois?"
"Podemos ir ao Bernie's."
Vinte minutos depois, eles estavam sentados em uma mesa de canto no Bernie's, um daqueles restaurantes que ainda tinham cadeiras de vinil e serviam café da manhã o dia todo. Todd girava a caneca com as duas mãos enquanto os marshmallows derretiam em espirais brancas.
"Papai", disse Todd baixinho. "Vamos passar o Natal na casa da vovó Christa?"
"Esse é o plano." Frank observou os dedos do filho apertarem a xícara.
Todd deu de ombros, mas seus nós dos dedos ainda estavam brancos. "Eu só estava curioso."
Frank inclinou-se para a frente. "Você pode falar comigo sobre qualquer coisa, Todd. Você sabe disso, não é?"
“Eu sei, mas…” O olhar de Todd permaneceu fixo em seu chocolate quente.
O telefone de Frank vibrou novamente. Ashley: Você pode trazer o champanhe bom quando vier jantar amanhã? Mamãe está fazendo o cordeiro especial dela.
Ele respondeu: "Claro".