Jeffrey insistiu que eu não podia ficar sozinha na casa grande no Brooklyn. Disse que estava preocupado com a minha saúde mental, com a minha segurança. Melanie concordava com tudo, sempre com aquele sorriso doce que eu ainda não tinha aprendido a decifrar como falso. Resisti no início, mas a solidão pesava muito. A casa que antes fervilhava de vida com Richard agora ecoava vazia, então cedi.
Foi assim que, quatro meses depois de ficar viúva, Jeffrey e Melanie se mudaram para a minha casa. Foram trazendo suas coisas aos poucos, ocupando o quarto de hóspedes, depois usando a garagem para o carro dela e, por fim, espalhando pertences por todos os cantos da casa como se sempre tivesse sido deles.
No começo, confesso, foi reconfortante ter alguém em casa, ouvir vozes, sentir movimento. Jeffrey cozinhava para mim nos fins de semana. Melanie me acompanhava à feira. Parecia que eu tinha recuperado parte da família que perdi com a morte de Richard. Eu fui tola.
A herança que Richard deixou era considerável. Além da casa, que valia mais de dois milhões de dólares, havia as quatro padarias bem-sucedidas, que geravam lucros mensais e uma considerável poupança acumulada ao longo dos anos. No total, o patrimônio girava em torno de quatro milhões de dólares. Jeffrey era meu único herdeiro, mas enquanto eu vivesse, tudo seria meu.
O primeiro pedido de dinheiro veio seis meses depois da mudança. Jeffrey me abordou numa tarde de domingo enquanto eu regava as plantas do jardim. Ele tinha aquele olhar que eu conhecia desde criança, o olhar de quem queria alguma coisa, mas fingia vergonha de pedir. Disse-me que a empresa para a qual trabalhava estava passando por uma reestruturação e que ele poderia ser demitido. Precisava de cinquenta mil dólares para investir num curso especializado que lhe garantiria uma posição melhor.
Como mãe, como eu poderia recusar? Transferi o dinheiro no dia seguinte.
Três semanas depois, foi Melanie quem apareceu no meu apartamento, pedindo desculpas enquanto falava, dizendo que sua mãe estava com problemas de saúde e precisava de trinta mil dólares para uma cirurgia específica. Paguei sem questionar. Afinal, agora éramos família.
Os pedidos começaram a se multiplicar. Em setembro, mais 40.000 para um investimento que Jeffrey jurou que dobraria em seis meses. Em outubro, 25.000 para consertar o carro de Melanie após um acidente. Em novembro, outros 30.000 para uma oportunidade imperdível de parceria em um negócio que nunca se concretizou.