Assim que minha filha ganhou 10 milhões de dólares, ela me expulsou de casa, me chamou de "bruxa" e jurou que eu não veria um centavo. Fiquei quieta. Ela nunca se deu ao trabalho de verificar quem era o verdadeiro dono do bilhete. Sete dias depois...

Ela chegou minutos depois, gritando, insistindo que havia ocorrido um engano, que o dinheiro era dela. Mas os advogados se mantiveram firmes. A multa foi assinada. Legalmente, era meu. As câmeras registraram seu colapso — sua maquiagem impecável desaparecendo, sua fúria explodindo — quando ela percebeu que havia perdido tudo.

Não precisei dizer uma palavra. O silêncio falou por si só.

O dinheiro me trouxe mais do que conforto: trouxe-me paz. Recuperei minha casa, restaurei meu jardim e até viajei para lugares que eu só havia sonhado. Mas não foram os milhões que importaram. Foi a justiça.

Minha filha, por outro lado, perdeu tudo: o namorado, a mansão e, pior de tudo, os filhos. Eles voltaram para mim, e o riso deles preencheu a casa que antes ecoava com solidão.

Ainda hoje, às vezes ouço a voz dela na minha memória: "Velha bruxa". Mas as palavras já não doem. Porque sei que a maldição não era minha. Era dela: a ganância, o orgulho, a incapacidade de amar quem lhe deu tudo.

Ainda estou aqui. Rodeado pelos meus netos. Vivendo com carinho, dignidade e amor. E acima da minha lareira está pendurado aquele velho bilhete premiado da loteria, emoldurado. Não pelos milhões que me trouxe, mas porque me lembra de:

No momento mais sombrio da minha vida, o destino já havia tomado partido. E meu nome estava escrito na mão vencedora desde o início.