Naquela noite, pela primeira vez em muitos anos, ela não foi à cruz.
Sentaram-se junto à fogueira.
Ela contou-lhe sobre a sua infância, sobre a mãe que morreu de fome, sobre como o mundo se tornara pequeno demais.
Ele ouviu em silêncio, mas algo que ela nunca vira antes surgiu nos seus olhos: calor.
Quando ela se abaixou para colocar mais lenha, as suas mãos roçaram-se.
Ele levantou-se abruptamente.
"Não precisa", disse ele suavemente. "Você é muito jovem para desperdiçar a sua vida com aqueles que desistiram há muito tempo."
"Ou será que é precisamente por isso que devo ficar? Para que você queira viver de novo?"
Ele não respondeu. Simplesmente saiu para a noite.
Ela esperou. Muito tempo.
Ele voltou ao amanhecer, molhado e cansado.
"Fui até o desfiladeiro", disse ele. "Lá em cima abre-se um caminho. Você pode descer até o vale."
"Quer que eu vá embora?"