Julian deu um passo para trás, apavorado. "Onde dói?" "Minhas costas... estão doendo há dias. Mamãe diz que foi um acidente, mas eu não consigo deitar aí."
O estômago de Julian revirou. Ele se ajoelhou para olhar nos olhos dela. "Você pode me contar a verdade, Lily. Eu estou aqui." A garotinha respirou fundo, com a voz trêmula. "Mamãe disse que se eu contasse para você... ela diria para todo mundo que eu sou uma mentirosa. Ela disse que você acreditaria nela porque os adultos sempre se apoiam."
Julian sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ele pegou as pequenas mãos dela nas suas. "Eu acredito em você ... Sempre. Me conte o que aconteceu."
Lily encarou o tapete, forçando as palavras. "Era terça-feira. Ele ficou bravo porque eu não queria comer brócolis. Mandou-me para o meu quarto. Depois subiu as escadas gritando... agarrou meu braço e me empurrou. Bati as costas na maçaneta de metal do armário. Doeu demais."
Julian cerrou os dentes até doerem, mas sua voz permaneceu tranquilizadora. "Ele te levou ao médico?" "Não. Ele foi a uma farmácia. Disse que eu caí enquanto brincava. Passou pomada e colocou curativos... apertou bem forte. Disse para eu nunca mais tirar."
— Posso ver? — perguntou Julian, com o peito apertado. Lily assentiu. Virou-se e levantou a camisa larga. Julian congelou. As bandagens estavam amareladas e sujas. A pele, visível pelas bordas, era um caleidoscópio de hematomas roxos e pretos. Um cheiro forte e característico de infecção emanava do curativo.
Quando foi a última vez que ele trocou para você? — Quarta-feira... eu acho. Ele me disse para deixar em você até você voltar para que você não visse nada feio.